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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Entrevista com Vanessa Teodoro Trajano




Entrevista com Vanessa Teodoro Trajano
Nasceu em Teresina-PI, atualmente mora em Brasília-DF. Além de escritora, é professora de língua portuguesa, mestre em estudos literários. Já publicou nove livros, entre antologias e obras individuais, dentre as quais se destacam: Mulheres Incomuns (2012), Poemas Proibidos (2014) e Doralice (2015).

Como se deu seu encontro com a literatura? Em outras palavras, como, quando e por que iniciou na escrita?

Eu não me lembro quando, exatamente. Quando eu era criança, uma leitora já voraz, via as fotos e biografias nas orelhas dos livros que eu lia e tinha a sensação de que gostaria de um dia estar ali, com alguma das minhas histórias inventadas. Por muito tempo, a realidade tentou calar este sonho e eu o esqueci. Pensei em fazer outras coisas, cursar moda por exemplo, mas na adolescência a ânisa de escrever me chamou novamente depois da leitura de Quincas Borba de Machado de Assis e de contos da Lygia Fagundes Telles. Vi que era tendenciosa para narrativas breves,  e eu explodindo de imaginação me dediquei a escrever alguns contos – fora os poemas de dor de cotovelo que a maioria dos jovens escrevem. Para minha sorte ou azar, minha fase poeta e contista nunca passou, e já enquanto adulta escrevi um romance. Creio que nunca mais vou sair dos livros, que era onde eu sempre gostaria de estar.


Uma das temáticas centrais de seu livro de contos Mulheres Incomuns é sobre o desejo e a liberdade feminina em relação ao prazer e à própria sexualidade. Podemos dizer que o que está por trás, o que faz pano de fundo ao aspecto erótico, seria uma luta por direitos?

Sim, certamente que sim. Vou dizer uma coisa que possa parecer abominável para alguns pseudo-intelectuais, mas observei, durante a minha adolescência a disparidade de discursos sobre o sexo entre o homem e a mulher. Minha referência mais próxima é a Valesca Popozuda, quando eu, com 15 anos, presenciei a sua carreira decolar com a música “de sainha”, cuja versão original é “sem calcinha”. Na mesma época, lembro perfeitamente de minhas amigas se reclamarem da imposição monogâmica ao sexo feminino, e para os homens, os garanhões, não eram afetados moralmente se ficassem com mais de uma mulher. Isso me incomodava. Acredito que as mulheres gostam de sexo mais do que os homens, mas há uma série de fatores sociais, resquícios do patriarcalismo, que as impedem de gozar de sua livre sexualidade. Mas voltando para a Valesca, há uma bela música do Chico que diz: “sou daquelas mulheres que só dizem sim”. Um verso invejável, mas me digam: será que a mulher do verso acima não deseja a mesma coisa que o “eu lírico” da Valesca? Claro que sim, o que muda é a composição da linguagem. Além disso, quando, na história da humanidade, uma mulher poderia cantar: “vou pro baile procurar o meu negão?” Isso para mim foi uma libertação, a enxerguei como uma. Rasteira, como queiram. Mas me voltava para inquietudes em relação à sexualidade e aos discursos que os considerava libertários, tentando transpassá-los a minha literatura.

Você classificaria a sua literatura como erótica? Se sim, como foi sua decisão por incluir elementos eróticos, em algum momento sentiu receio da reação do público, dos familiares, dos alunos?

É erótica mais como finalidade de nomenclatura, porque as pessoas tendem a nomear as coisas. Não vejo problema com o termo, e não me incomodo quem a classifica como pornográfica também. Nunca senti receio em relação à ninguém. Eu sabia o que estava fazendo. Se alguém estivesse incomodado, quisesse me excomungar ou me mandar para o fogueira, então eu havia alcançado meu objetivo. Minha família, tudo bem, não sou filha de católicos fervorosos ou coisas do tipo. E não chego numa sala de aula me apresentando como escritora. Alguns já descobriram por acaso, mas foram bem discretos.

Muitos autores não conseguem reler o que publicam. Como você se relaciona com uma obra já publicada? Também tem esta dificuldade?

Não leio, porque costumo odiar o que escrevi. Sempre desejo mudar. A obra nunca está pronta. A melhor parte de escrever é reescrever. Pelo menos eu queria viver nessa parte, eternamente reescrevendo.

Você já sofreu algum tipo de preconceito, em meios literários, por ser uma mulher?

A primeira vez foi foda. Envolveu meu trabalho. Pedi férias antecipadas porque um charlatão me falou que arranjaria um lançamento do meu livro em Paraty e fui. Chegando lá as coisas não eram bem assim como ele havia pintado, haveria uma condição. Bem, fico me perguntando em que momento dei a entender isso. Era como se somando os elementos mulher e erotismo só poderia resultar fatalmente para mim, como se fosse óbvio que por conta disso me vendesse. Isso é preconceito, não é? Outra situação, ao meu ver ainda mais pavorosa, foi quando fui atacada por outra mulher, que não teve respeito nenhum pela minha história e tentou me diminuir intelectual e moralmente na frente de todos. Eu não entendo porque as mulheres se fazem tão inimigas. Bem, aqui e acolá houveram outras ocasiões em que sofri preconceito, mas nada tão drástico como as que acabei de citar.

Acredita haver diferenças na maneira de escrever o erótico por homens e mulheres? A função ou a posição do erotismo na escrita de um é diferente do outro?

Anaïs Nin sempre fala que o erotismo da mulher não dissocia-se das emoções. Já Beauvoir afirma que o erotismo da mulher é mais complexo que reflete TODA a sua situação. Acredito que a mulher que escreve literatura erótica está protagonizando anseios e desejos que foram privilégio dos homens, assim como ocupar a posição de um sujeito falante – Virginia Woolf o fez muito bem, e se valeu como empurrãozinho para várias outras – também contribui para que tal produção reflita nessa função. É como se agora ela estivesse acendendo, desperta de um longo adormecimento. Os homens sempre escreveram literatura erótica, não nos esqueçamos de Ovídio. A mulher está tendo essa abertura só recentemente – recentemente demais até, se pensarmos em séculos – portanto a diferenciação de escrita de um e de outro seja ainda prematuro dizer qualquer coisa. Prefiro não pensar que por ser mulher escreve diferente, o que acontece é que desejos que sempre foram amordaçados estão vindo à tona através da literatura, e isto para a lei que vigora a for “da moral e dos bons costumes” (sempre) soará blasfemo.

Os leitores costumam fazer muita confusão entre autor e obra?

Claro, eu mesma faço isso, inevitavelmente. Mas não seria gostoso imaginar que é possível conhecer as sombras de alguém através de sua literatura?

Qual a função do erótico na literatura?

Respondi isso tantas vezes na minha dissertação de mestrado que não sei se saberei responder originalmente agora. Mas vamos lá. Muitos leitores confiam na literatura erótica como entretenimento. No mais das vezes pode até ser, mas se você observar bem muitas obras utilizaram-se do erotismo para tecer denúncias ou ironizar. O caderno rosa de Lori Lamby de Hilda Hilst, por exemplo, há quem diga que se trata de uma obra erótica, mas só consigo enxergar denúncia contra pedofilia e prostituição infantil. Outro livro que é o meu xodó é Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Quem não se identifica com Ema? Na verdade, a vida é tediosa mesmo, e os amantes para ela foram uma distração e tanto. Eu poderia citar inúmeras outras obras, mas cairia na mesma opinião, modificando-a aqui ou ali quando necessário. O fato que o erótico na literatura não precisa de uma função específica, ele existe, como o existe em nossas vidas. Não é a literatura imitação/representação/antecipação da vida?


Qual sua opinião sobre a entrada do politicamente correto (leitor sensível) na literatura?

Se isto vigorar estou lascada, não publico mais nada. Uma vez escrevi “Se eu fosse uma garota de programa” no meu blog, em que a personagem, prostituta de luxo, zomba das colegas de profissão que ganham a vida nas esquinas sujas e perigosas do centro da cidade. Fui acusada de várias coisas, das quais nem me lembro. Mas me diga: será se não existe essa prostituta que acredita ser melhor porque os seus clientes as levam para os melhores motéis e um único programa seu é mais caro do que as do centro às vezes trabalham o mês inteiro para ganhar? Saindo da prostituição: imagine um professor de faculdade, ou melhor, de pós-graduação, que faz questão de ser chamado de doutor e acredita ser ele mesmo um semi-deus? Jesus, se essas pessoas que se acham melhor que as outras por míseros detalhes não existem então eu devo estar ficando louca. E respondendo melhor a pergunta, a implantação do leitor sensível extingue, literalmente, a literatura sensível. Ela ficará exposta, sem poesia, hipócrita. Não quero imaginar como seria a literatura sem sensibilidade.

Você adota algum procedimento quando vai escrever? Espera a inspiração? Costuma ter um horário específico pra trabalhar?

Sou daquelas que espera o clarão vir me assombrar. Não sou prática. Deveria sê-lo, acredito no método da refeitura até a perfeição, e até o faço ou tento fazê-lo, mas só depois que me inspiro, não me obrigo a nada. Quando isso acontece, costumo fazer durante o dia, depois do café da manhã. É muito romântico imaginar um escritor que escreve à noite, mas eu não sou noctívaga. Já até tive a minha fase, porém a vida real nos convida para descansar a noite e funcionar de dia.

Existe um leitor ideal? Se sim, como ele seria?

Nunca pensei nisso como escritora, apenas como professora. Digo para os meus alunos que eles devem ter sempre uma caneta ao alcance para rabiscar as margens do livro, grifar as palavras que não conhecem a fim de buscar o significado delas, enfim, fazer um borrão só, o que muitos sentem ciúmes – eu mesma não gosto tanto dessa prática porque não quero sujar meus livros. Enfim, não gosto de pensar no  que seria o leitor ideal, pois sugere uma demarcação. Estas perguntas que me fez são fruto de uma leitura feita por você, que por sua vez poderia ser totalmente diversa se feita um ano depois ou atrás. A leitura é muito plástica para tentar medi-la.

Qual é a sua maior ambição no campo da escrita?

Quero me tornar uma polígrafa. A palavra parece não existir no feminino. Existe polígrafo, Machado de Assis o fora. Eu desejo sê-lo: publicar o máximo de gêneros possíveis, e ganhar um grande prêmio um dia. Não por vaidade. É porque é chato isso de mandar fazer os livros e eles ficarem empilhados em casa, oferecendo pros outros comprarem. Não desejo mais isso, é chato. Queria um prêmio que me garantisse publicar sem me preocupar com a distribuição, por menor que fosse.

Quais os principais autores e respectivas obras que influenciam sua escrita?

Anaïs Nin, minha musa etena. Machado de Assis, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Carlos Drummond, Charles Bukwoski, etc. Não sou de pensar em obras isoladas, porque já tive várias preferidas ao longo da vida. No momento, a minha maior influência são os contos de Anaïs Nin, Delta de Vênus e Pequenos pássaros.

A literatura exerce pra você uma função catártica?

Tanto na leitura como na escrita percebo que sou atravessada por algo que me faz diversas vezes submergir e voltar à margem como que sem ar. Então eu acordo, amaldiçoada ou revigorada, vai depender do que leio ou escrevo. Se isto não acontecer, faço outra coisa. Meu espírito não está preparado verdadeiramente naquele momento para aquilo, ou a obra não é suficientemente artística.

Qual a maior dificuldade que você encontra/encontrou nesse caminho de ser uma autora independente?

Como disse, vender é a pior parte. Às vezes me sinto esmolando. Parei com isso. Não ofereço minha obra pra mais ningém. Anuncio que publiquei, mais nada. No começo da carreira vendi livros em bares, e na época deu certo, ocorreu tudo bem, mas não consigo continuar a fazê-lo. Não me pergunte o porquê, não saberei responder.

Ao todo, você tem nove livros publicados. Tem um “filho” predileto? Se sim, qual deles?

Mulheres Incomuns, por ser o primogênito, me atrai mais. Porém não acredito que tenha sido minha melhor obra, tampouco acho que ela já foi escrita. Não diria preferência, mas Mulheres Incomuns tem algo que me arrebata, ele foi o passaporte inicial para a vida que escolhi; sua função também foi de me libertar como mulher, pois por meio dele dei vida à personagem Vanessa Trajano. Eu precisava me tornar uma mulher incomum, devo isso ao meu livro.

Existe algum livro que abriu uma cratera, fez uma hecatombe na sua vida a ponto de fazer com que as coisas passassem a ser vistas de outra maneira?

Doralice foi escrito de maneira muito peculiar. Eu viajava todo ano para Fortaleza, minha terra natal de coração (pois todos da minha família são de lá), e na estrada me inquietava com aquelas casas à beira da estrada no meio do nada, que só depois de muitos quilômetros havia outra. Também sentia um mal estar quando via alguém com os seus cinquenta e tantos anos dizendo que nunca realizou um grande sonho, e passou a vida trabalhando no banco ou em outras instituições burocráticas. Então eu criei Doralice, uma menina de um interior chamado Sonhança que nunca conseguiu realizar um sonho aparentemente besta, que era o de fazer teatro. Como ela iria fazer teatro, se o teatro não chegava até lá? Se as pessoas próximas a ela não sabiam nem o que era teatro? Comecei a ver, através de Doralice, como somos tolos por esperar melhoras sociais e econômicas para movimentar a própria vida em favor dos nossos sonhos. Os governantes, principalmente os nossos, querem é matá-los, um a um, até não restar nenhum sonhador que inspire outros. Doralice é a minha estrela guia porque não desejo acabar como ela.

Em seus escritos de Mulheres Incomuns há uma crítica à instituição casamento?

Não acredito em monogamia, e essa é a promessa do casamento, certo? Bom, eu até acredito que existam fases monogâmicas, e que algumas raras pessoas conseguem passar a vida nelas, mas o grande problema é conseguir reunir duas pessoas com essa obstinação. Alguém sempre acaba vacilando e o outro sofrendo. Terrível, não? Em Mulheres Incomuns, algumas personagens não ligam para o casamento. São infiéis, ousadas. Ainda bem que são mulheres. Muitas leitoras dizem que minha escrita é a de uma vingadora (risos). Deve ser, mulherada.


Você poderia viver se fosse privada da literatura (ler/escrever)?

Se um dia isso acontecer, e tomara que não, espero que exista um outro lugar, no cosmo, em que eu tenha infindos papéis para escrever depois de ler todos os livros que desejo ler.



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Resenha do livro Entropia, de Alexandre Marques Rodrigues



Quem acompanha meu blog sabe que, geralmente, minhas resenhas são cartas para os autores. Mas desta vez farei diferente, até porque fiquei algum tempo às voltas com Entropia e minha resenha é uma tentativa de montar um quebra-cabeças. Entropia caiu em minhas mãos porque fui convidada a mediar um bate-papo pelo Sesc em que o autor estaria presente. Este romance é daqueles que você começa a ler e, conforme os capítulos vão passando, em algum momento sente a necessidade de voltar ao início do jogo porque as coisas não estão fazendo muito sentido. Você volta e percebe que precisa anotar algumas coisas para não se perder na leitura.
Além disso, quando achei que havia alguma dificuldade minha na compreensão, parei tudo e fui buscar resenhas e comentários. Parecia, então, que a confusão fazia parte do processo. Mas acho que devo dizer algo já de início: para ler Entropia é preciso não estar com muita preguiça de pensar, porque se trata de um livro que demanda anotações, pesquisas, escavações, trabalho. Primeiro: o que é entropia? A definição só vem na página 109: “Grandeza termodinâmica que mede, em um sistema isolado, seu grau de irreversibilidade”. Antes disso é preciso querer saber. Então, para quem estiver interessado em fazer esta incursão, coloco aqui nesta resenha as “chaves de leitura” que usei. Vai que cola?
Primeira chave: Os capítulos são divididos em seis eixos:
Eixo 1 - História de Roberto (um homem casado) e Constantina (amante). Narrados em terceira pessoa.
Eixo 2 - História de Franz, narrado em primeira pessoa.
Eixo 3 - História de Cecília (esposa) e, a princípio ficamos sem saber se ela é a esposa do Roberto ou do Franz.
Eixo 4 - História de Bernardo, narrada em terceira pessoa. Bernardo em Franz têm algo em comum: ambos estão numa viagem. Bernardo procura o túmulo da mãe, mas ainda não sabemos direito o motivo da viagem de Franz até certo ponto do livro.
Eixo 5 - Biografia de Anton Stein em 4 + 1 capítulos (e só muito depois é que entendemos o motivo da biografia encravada no meio de tudo isso).
Eixo 6 – Estão preparados? Aqui você conclui, ao menos eu concluí (posso ter viajado na maionese) que Franz, Bernardo e Roberto são a mesma pessoa. Na verdade já dá pra ir sacando alguma coisa antes de chegar a este eixo em que os três são um só, narrados em primeira pessoa pela voz de Franz. Daqui puxo o gancho para a:
Segunda chave: A escolha dos nomes dos personagens
- Franz: significa francês.
- Bernardo (origem germânica): Ber [urso] + hart [forte]: forte como um urso.
- Roberto (origem germânica): Hruot [glória] + bertho [brilhante/afamado]: aquele que a glória tornou famoso.
Os significados dos três nomes remetem ao general francês Napoleão Bonaparte. Mas de onde diabos eu tirei isso? Da minha imaginação fértil? Não, senhores. Alexandre vai nos dando essa dica ao longo do livro. Durante as buscas do personagem três em um (Franz/Bernardo/Roberto), alguém diz a ele: você tem que estudar as batalhas perdidas por Napoleão, mas só aquelas que ele perdeu. Aí você, um leitor obediente, vai pesquisar e descobre que Napoleão perdeu quatro grandes batalhas:
- Trafalgar
- Moscow
- Leipzig
- Waterloo
Ora, vejam bem, são as quatro partes em que o livro é dividido! E por que Napoleão perdeu estas batalhas? Porque hesitou em atacar e foi atacado. Aí a sua imaginação de psicanalista que gosta dos significantes e dos pedaços deles te leva ao seguinte:
Entropia – En[trop]ia – tropo – tropista – tropa (do grego) tropos – ato de dar a volta.
E o que isso quer dizer? Não sei. Mas de alguma forma é como o livro faz você se sentir, dando voltas dentro de um sistema fechado.
Terceira chave: Principais temas
- Esgarçamento das relações representado pelo constante desencontro. Há desencontro de Franz/Bernardo/Roberto com as mulheres tanto no amor como no sexo, desencontro na busca pelo túmulo da mãe, e vários outros.
- Morte como um retorno ao nada, permanecemos no sistema fechado.
- Solidão e desamparo.
- O recuo diante das batalhas.
- Busca pela mãe (com quem não há nenhum laço, já que ela morreu quando ele era criança), como uma espécie de metáfora à busca pelo mito de origem.
Quarta chave: recursos de estilo
Aqui não tenho muita condição de esgotar os recursos utilizados por Alexandre, mas os que mais me chamaram a atenção foram:
- A mistura de tempos verbais numa mesma frase: “Sou quase virgem, ela disse, dizia, disse uma e outra vez”.
- Escrita entrecortada que lembra o trabalho de uma máquina. Este fato faz das cenas sexuais um trabalho mecânico e nada excitante para o leitor. O objetivo do Alexandre parece ser mais para falar do impossível do sexo do que do erótico em si.
Bem, foi assim que consegui decantar a leitura. Ainda que tenha feito assim, de forma esquemática, quero avisar a vocês que os temas trabalhados e a forma como o autor aborda são bastante tocantes. Espero que ajude!

Isloany Machado, 05/10/2017