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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Pra quem serve a psicanálise?

  Ultimamente tenho pensado muito no chuveiro, na hora do banho. É um tempo que tenho para estar só com meus pensamentos. Não que me passem coisas muito filosóficas ou existenciais pela cabeça, pelo contrário. Penso, por exemplo, no que fazer para reverter o processo de bunda negativa que o pós-parto me deixou como herança. Essas coisas passam pela cabeça, além dos compromissos diários, as contas a pagar, enfim. Mas eis que ontem me veio uma lembrança da infância que casou com uma ideia para uma crônica que há tempos estava fermentando.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O sofrimento psíquico e as palavras

Por esses dias ando um pouco triste. Triste e angustiada. Não, não é verdade. Eu só queria saborear as palavras “triste” e “angustiada”. Se eu estivesse triste, acho que a palavra triste me definiria bem. Não a palavra triste no sentido de que a palavra esteja triste, mas no sentido de que a palavra “triste” definiria meu sentimento. O mesmo serve para a palavra angustiada, não a palavra estando angustiada, mas...bem, vocês entenderam. Fato é que as palavras dão forma aos sentimentos. Estar angustiado, por exemplo, é diferente de estar ansioso. Pense nas palavras, sinta a diferença. Diga: hoje estou angustiado. Tente sentir a angústia. Bem, agora diga: estou ansioso. Sentiu? A ansiedade faz cócegas no estômago e bem no comecinho do intestino delgado, já com a angústia, parece que o buraco é mais embaixo. Ou melhor, mais em cima. A angústia faz assim uma espécie de compressão no peito, atinge pulmão, traqueia, algo por ali. Ambos viscerais. Os sentimentos, as palavras.