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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Dicas para uma gestação saudável

Muitas pessoas têm medo de expressar seus medos. São aquelas vistas como “fortes”. Profissionalmente eu entendo perfeitamente o fenômeno, mas pessoalmente, esquecendo toda a teoria, eu tenho dificuldade para entender, pelo simples fato de que, desde que me entendo por gente, sempre expus minhas faltas, principalmente para as pessoas mais próximas. Depois que inventei essa história de blog então, escancarei pra rede. Nesta fase da vida (gravidez) então, basta entrar e ler.
Confesso que me irrita quando as pessoas tentam me consolar ou assustar dizendo que depois piora. Não que esteja tão ruim assim, não é isso. Pelo contrário. Todas as vezes na vida em que me imaginei grávida, calculava coisas muito piores do tipo: engordar como uma vaca, constatar a presença de uma estria nova a cada minuto, e essas coisas que só as histéricas compreenderão, pois se relacionam ao corpo. Nada disso aconteceu, ainda.
Entretanto, há outras coisas. De repente tenho taquicardias. Não sei se é piti ou meu coração pifando. Como não sentir medo disso? Então, sem perceber, comecei a ajeitar minhas coisas, encerrar as dívidas no último mês que antecede o parto, deixar uma lista atualizada com os telefones das pessoas que precisariam ser avisadas, caso eu morresse no parto. MORRER NO PARTO??? É, morrer no parto. Me dei conta do medo quando percebi que só faltei escrever um testamento: quero que meus livros sejam doados para uma biblioteca, meus batons e perfumes podem ser distribuídos entre minhas amigas, minhas roupas são bregas, ninguém vai querer. Ah, se eu fosse uma obsessivazinha tudo bem, isso já estaria totalmente sistematizado, mas como é difícil falar disso sendo histérica.
Comecei a pensar no porquê da  ideia absurda ter ocupado meus pensamentos. Queimei a mufa, pensando, pensando, falando, falando no divã. Então lembrei que sempre ouvi de várias mulheres da minha família, tias e afins, que quando um filho nasce a vida acaba. Sem ligar o lé com o cré, automatizada, alienada nos significantes fantasmáticos, senti medo de morrer no real. Elas diziam metaforicamente “a vida acaba minha fia”, e eu entendia “agora você vai morrer sua infeliz”. Podem rir, eu deixo. Não estou escrevendo isso para ser dramática, mas porque depois que fiz essa relação, comecei a rir sozinha. As mulheres da minha família são loucas. Mas que mulheres de que famílias não são?
Talvez o medo de morrer tenha feito com que eu obedecesse a todas as ordens de todas as coisas que disseram que fariam bem para mim e meu filho. Obedeci como se uma boa obsessiva fosse, aí vão apenas algumas dicas:
- Beber de dois a três litros de água por dia;
- Passar filtro solar de duas em duas horas para evitar manchas;
- Comer de três em três horas, sendo que no café da manhã somente era permitido UMA fatia de pão integral, no lanchinho da manhã UMA fruta, no almoço UMA colher rasa de arroz (Integral), UMA concha de feijão, UM pedaço de carne e salada à vontade (desde que seja folha, porque legumes são contados), uma laranja ou mexerica para substituir um doce qualquer de sobremesa (até porque é QUASE a mesma coisa), no lanche da tarde TRÊS cookies integrais, na janta UMA concha e MEIA de sopa (Disso eu me queixei pra nutricionista: uma concha e meia é obsceno! Ela autorizou duas).
- Praticar exercícios físicos regularmente, tanto aeróbicos como de fortalecimento muscular, já que depois de algumas semanas a pessoa fica imprestável da cintura pra baixo;
- Fazer drenagem linfática para reduzir o inchaço das pernas;
- Usar litros de óleo e creme na barriga e na bunda pra não ter estria, ainda que isso não seja garantia de nada, já que tem mais a ver com a genética, mas vai que cola;
- Tomar banhos de sol nos peitos pra fortalecer os mamilos pra amamentação e pra sintetizar a vitamina D, que estava baixa, apesar de eu tomar diariamente um sol da pêga na cabeça a vida inteira desde que nasci;
- Aguentar comentários dispensáveis sobre partos bizarros, normais ou cesarianas, em que o bebê ou a mãe morreram;
- Não ficar muito tempo sentada no vaso sanitário pra que não estufe hemorroidas no seu amigo cu, e mesmo assim não adiantar nada, como no caso das estrias;
- Usar meias de compressão para evitar varizes nas pernas, ainda que as meias pareçam estar comprimindo sua atividade cerebral;
- Trabalhar normalmente;
-Ah, sem esquecer de, a cada intervalo entre todas estas atividades, contrair e relaxar o períneo, pra evitar que ele se rasgue durante o parto.
- CONFESSO QUE NÃO CONSEGUI CONTRAIR E RELAXAR O PERÍNEO NOS INTERVALOS.
            Mas, segundo dizem as pessoas mais experientes, tudo fica pior depois que o bebê nasce. O que ainda me impressiona é a euforia que, ainda assim, eu sinto pela expectativa da chegada dele. Bem, agora vou ali contrair e relaxar o períneo.



Isloany Machado, 21/08/2015 

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