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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Carta 22 - Sobre as frases, os desejos, o fim e novos desafios

Meu querido, como estão as coisas?

Soube pela sua mãe que você já está formando frases! Fiquei tão feliz, pois da última vez que te vi, essa cola que faz a gente formar frases ainda não fazia parte da sua vida, somente as palavras soltas faziam com que você se virasse bem pra dizer o que queria. Mas agora, com as frases, caramba, é um passo e tanto. Quando você estiver um pouco mais velho e dominando a arte da linguagem, provavelmente não se lembrará do momento único em que conseguiu juntar palavras, substantivos, verbos, pronomes, etc. Mas nós não esqueceremos nunca, porque é lindo!
Quanto mais à vontade você estiver com as palavras e as frases, mais poderá dizer sobre seus desejos. Isso é ótimo! Como eu já te disse várias e várias vezes, em alguns momentos a linguagem nos atrapalha, às vezes ela falta e jamais dará conta de expressar tudo que queremos. Mas pense só numa coisa: ruim com ela, pior sem ela! Agora que as palavras te acodem cada vez mais e que tem todos os dentes, o mundo é seu e poderá voar. E eu estou tão orgulhosa disso!
Sabe, quando você nasceu, eu estava aqui longe e não pude te ver antes de seus quinze dias de nascido. E depois, sempre longe, nos encontramos diversas vezes, mas sei que nada é capaz de substituir completamente a distância. Por isso quis te escrever. Porque de certa forma, você é um pedacinho de mim, já que é filho da minha irmã. E o que sinto por você é um amor de tia, que gostaria de estar sempre perto. Escrever pra você sobre as coisas que aprendi na vida, foi um jeito que encontrei de diminuir as saudades. Quem sabe um jeito de eternizar cada momento que pensei em você?
Agora que já junta palavras, vejo que minha função de te contar, a conta-gotas, como eu acho que a vida é, vai ficando cada vez mais desnecessária. Só quero que saiba que o amor e a saudade só aumentarão, sempre a cada dia, ainda que as cartas cessem. Um dia você poderá ler as palavras que escrevi aqui, quando souber das letras escritas. Sei que ainda há muito por dizer, pois sei que você ainda enfrentará muitas dificuldades com as quais ficará perdido. Mas quando as palavras não te derem respostas, não hesite em usar os dentes!   


Isloany Machado, 27 de abril de 2015.

P.S.: Te amo muito. Este não é o fim da nossa correspondência, talvez seja o fim de um ciclo de coisas que eu precisava te dizer para que viver possa não doer tanto. Tenho certeza que, pela alegria que você explode em cada sorriso, a vida lhe será muito mais leve. Escrevendo pra você, a minha vida ficou mais leve também. Obrigada. Agora preciso cuidar de outros assuntos. Agora terei que aprender como é ser mãe. E disso, não sei absolutamente nada.    

      

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