Aqui você encontrará textos sobre psicanálise, literatura e meus escritos literários.

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Leia aqui o texto que inspirou o nome do Blog!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Você já "deu uma de psicólogo"?*

*Se você é psicólogo sabe exatamente do que eu estou falando. Se você não é, escute bem, ou melhor, leia bem e nos ajude a dizer não à banalização da Psicologia.

Nós da área Psi, TODOS NÓS da área psi, algum dia na vida – desde a graduação – já ouvimos frases assim:
- Você é psicólogo? Que legal! Meu sonho era fazer Psicologia...
- Nossa! Você estuda psicologia? Uau! Deve ser muito interessante né? Antes de decidir fazer Oceanografia, todos me diziam que eu devia fazer Psicologia porque sou um bom conselheiro...
- Caraca, você é psicólogo? Depois que eu me aposentar ainda vou realizar o sonho de fazer Psicologia. Eu gosto de conversar com as pessoas...
- Ah! Psicólogo? Sempre quis muito fazer esse curso pra compreender melhor a mente humana. (Essa pode variar assim: ...pra compreender o comportamento humano).

domingo, 15 de novembro de 2015

O Amor/Eros nos tempos de horror e guerra

A quem vamos pedir proteção? De onde virá o socorro e salvação? Do alto? De baixo? Virá quando, enfim, adentrarmos o jardim da vida eterna? Nunca acreditei nisso. O que lamento muito, pois seria reconfortante. De uns dias pra cá, ando estarrecida com o caos. Não que o caos seja novidade, pelo contrário. Mas há algo de diferente agora. Até mesmo me deparo com pessoas disputando por determinar qual seria o maior desastre. Vamos pensar nos dois mais recentes: um que é nacional e outro, cuja repercussão é, obviamente, nacional. Um, resultado da ambição e inconsequência típica de um sistema econômico doente, que calha perfeitamente com as propensões humanas destrutivas. O outro, quase que fico sem palavras, mas tem a ver com coisas muito maiores, que vêm acontecendo mundialmente e abrange questões extremistas religiosas, disputa de poder, de território, e o escambau. As proporções são diferentes.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Direito à vida e direito à morte

Você que me lê, não me julgue antes de terminar de ler o texto. Não deixe que a repulsa que sente pelo suicídio escureça suas vistas e não permita que pense por outro lado. Lembre-se que numa história sempre existem dois lados. Há dias ando com uma vontade de escrever sobre isso...meus dedos estão coçando, mas me falta tempo. Tenho uma vida de dois meses em meus braços para cuidar, e há dois meses, esta vida é a coisa mais importante da minha vida.

sábado, 31 de outubro de 2015

Pietro e o rochedo de seu desejo

A primeira vez que vi Pietro foi em algum dia entre 2005 e 2006. Eu entrei no sebo procurando um livro legal para presentear uma amiga que estava de aniversário (Não me pareceu que ela gostou do presente na ocasião porque, afinal, era só um livro “velho” e só eu mesma pra gostar dessas coisas). Entrei no sebo e um rapaz meio baixinho veio me atender. Eu já havia ido lá outras vezes, mas sempre fui atendida por pessoas que só estavam ali por um emprego e jamais por amor aos livros. Vi no brilho dos olhos e na conversa que tivemos, que Pietro era um vendedor diferente, que a paixão por aquilo ali era o que o movia.

domingo, 4 de outubro de 2015

Relato de parto - Um milagre chamado desejo


Durante a minha gestação, li alguns relatos de parto. Não li muitos porque, sinceramente, me irritava ler depoimentos de mulheres que não ousam falar da dor de um parto natural, agindo como se este “fenômeno” não pudesse ser chamado de dor, mas de algo puramente fisiológico, uma coisa da natureza, de adaptação da mãe e do bebê. Eu queria ter tido parto natural, mas não porque fosse enfeitar o quarto com pétalas de rosas, óleos essenciais, música indiana e etc, para fazer de conta que ia doer menos. Era só porque eu achava que seria melhor. Mas eu sei que ia doer pra cacete e tava me cagando de medo. Confesso. Mas às vezes falar dos medos é algo quase que proibido.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Dicas para uma gestação saudável

Muitas pessoas têm medo de expressar seus medos. São aquelas vistas como “fortes”. Profissionalmente eu entendo perfeitamente o fenômeno, mas pessoalmente, esquecendo toda a teoria, eu tenho dificuldade para entender, pelo simples fato de que, desde que me entendo por gente, sempre expus minhas faltas, principalmente para as pessoas mais próximas. Depois que inventei essa história de blog então, escancarei pra rede. Nesta fase da vida (gravidez) então, basta entrar e ler.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A felicidade existe?

Este não é um texto de autoajuda. Também não é um texto que pretende dar resposta à pergunta do título. Você ainda está aí? Bem, se não desistiu é porque é do time de pessoas que gosta de ler pelo simples fato de que gosta de ler. Então seja bem-vindo ao meu blog, que ultimamente tem ficado de lado por causa de um ser que está dentro da minha barriga e toma meus pensamentos. A responsabilidade não é dele, é minha, sei disso. Mas por enquanto estou me inteirando sobre bodies e mijões, macacões e pagões, plush e malhas, fraldas de boca, fraldas propriamente ditas, toalha-fralda, cueiros, fraldas descartáveis e mais uma infinidade de coisas que um bebê, teoricamente, precisa para viver fora do meu útero.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Por que as grávidas têm tanta paciência?

Esta semana li o texto de uma colunista do Estadão, em que ela pedia que deixassem as grávidas em paz. O grito tinha a ver com a gravidez da irmã da autora do texto, “gravidíssima”, que ouve coisas absurdas todos os dias de pessoas sem noção. Os comentários variam desde a comida/bebida ingerida pela grávida, passando pelo momento em que se decidiu engravidar, chegando até as maiores desgraças ocorridas na história da humanidade no que diz respeito à hora do parto.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Vida de escritor: Fantasia X Realidade

Escritores, em geral, gostam de passarinhos. Os pequenos voadores nos inspiram, dão asas para a imaginação. Invejamos os pássaros, justamente porque têm asas, enquanto nós, “bípedes implumes” – como nos dizeres de Platão – só podemos voar quando embarcamos em um avião, ou quando – nossa maneira preferida – colocamos os pés em uma boa história. Os escritores, voamos quando lemos, quando escrevemos, quando sonhamos, ou quando admiramos o belo voo de um passarinho. Leia o “Poeminha do contra”, de Mário Quintana:

terça-feira, 9 de junho de 2015

Por que preciso que Vitória vença?

Hoje, pela terceira vez, fui visitar Vitória. Ela não sabe quem eu sou, nem porque vou lá visitá-la, mas há algo que me impele e me faz querer vê-la. Eu tenho milhares de amigos que publicam nas redes sociais fotos e vídeos de cachorros, tanto os abandonados, os perdidos, os maltratados, como os fofos, lindos e bem cuidados. Confesso que nem todos me tocam, alguns mais, outros menos, de modo que minha vida segue sem interferências, sem que eu queira abrir uma ONG para salvar animais e etc. Trabalho que acho louvável, mas que sei que eu não daria conta de fazer.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Um pedaço de mim já não é mais o mesmo

Tudo caminhava bem até o último sábado. Havíamos assistido uma apresentação de dança e, no caminho de volta, enquanto meu marido dirigia, eu passeava em uma rede social pela tela do meu telefone. Em um instante, me deparei com uma notícia que dizia: “Adolescentes torturam, arrancam couro a faca e quebram patas de cadelinha”. Não entrei imediatamente porque sabia que ficaria muito impressionada. Mas meu marido fez perguntas, queria saber se ela estava viva, e eu acabei entrando para ler.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Pela terceira e última vez, então vou ser mãe de menino?!

Nas duas últimas vezes em que tentei escrever sobre como foi receber a notícia de que serei mãe de menino, não consegui ir direto ao ponto. Por quê? Ora, porque havia muito a dizer e sempre haverá mais, ainda. Já disse também que nunca imaginei como seria ser mãe de menino, mas na verdade, nunca imaginei como seria minha vida sendo mãe. Acho que a única coisa que pessoas como eu pensam quando decidem ser mães – sim, pois é sempre uma escolha – é no processo de tentativa de engravidar. Quanto tempo será que vai demorar? Esse mês será que foi? Muitas mulheres chegam a ficar tão ansiosas que faltam dizer: “Não converse comigo hoje, estou fazendo o controle da minha temperatura corporal para saber quando ovularei”. Graças ao senhor Jesus, este não era o meu caso. Sou histérica sim, da estrutura ao acabamento, mas isso seria ir além de todos os meus limites neuróticos.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Agora sim, então vou ser mãe de menino!?

Na última vez em que tentei escrever sobre como foi receber a notícia de que serei mãe de menino, percebi que a perplexidade maior foi quando soube que seria mãe, apesar de não ter sido surpresa. Então, passei o texto todo falando sobre isso, de modo que ele ficou enorme e não consegui (?) atingir meu objetivo. O fato é que a preparação para este novo papel tem sido branqueadora de cabelos. Ainda assim se consegue extrair prazer nisso tudo.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Carta 22 - Sobre as frases, os desejos, o fim e novos desafios

Meu querido, como estão as coisas?

Soube pela sua mãe que você já está formando frases! Fiquei tão feliz, pois da última vez que te vi, essa cola que faz a gente formar frases ainda não fazia parte da sua vida, somente as palavras soltas faziam com que você se virasse bem pra dizer o que queria. Mas agora, com as frases, caramba, é um passo e tanto. Quando você estiver um pouco mais velho e dominando a arte da linguagem, provavelmente não se lembrará do momento único em que conseguiu juntar palavras, substantivos, verbos, pronomes, etc. Mas nós não esqueceremos nunca, porque é lindo!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Então vou ser mãe de menino?!

Nunca imaginei que seria mãe de menino. Na verdade, devo confessar que até uns dois anos atrás, nunca imaginei como era ser mãe. Não que eu não quisesse, mas a possibilidade não fazia parte dos meus pensamentos. Eu sou exatamente aquele tipo de pessoa que segura uma criança no colo a uma distância de pelo menos meio metro, não por aversão, mas por falta de jeito. Desde que meu sobrinho nasceu, escrevi cartas pra ele sobre o desamparo humano, para que possa ler um dia, porque acho que sou melhor com as palavras do que com a vida real.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Sobre a psicanálise, a física quântica e a existência de Deus

Fui convidada por um amigo muito querido a escrever sobre a importância de Freud nos dias de hoje. E quando falamos do tema, inevitavelmente veio na sequência: se é que ele é importante nos dias de hoje. Devo dizer que sou relativista, pois não acredito em nada absoluto. Faço então a velha oposição entre absoluto e relativo. Só acredito em verdades relativas. O absoluto é da ordem do dogmático, da crença. É claro que toda teoria começa com uma hipótese que poderá ser ou não comprovada, mas como o próprio Freud dizia em seu texto sobre a pulsão e seus destinos, nenhuma ciência, nem mesmo a mais exata, começa com conceitos claros e bem definidos. E ele exemplifica recorrendo à física: esta “proporciona excelente ilustração da forma pela qual mesmo ‘conceitos básicos’, que tenham sido estabelecidos sob a forma de definições, estão sendo constantemente alterados em seu conteúdo” (FREUD, 1914/2006). Assim é a ciência.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ah, como eu amo os angustiados...

Um dia ouvi falar que nós não escolhemos nossas profissões, mas somos escolhidos por elas. Fiquei pensando no por que da Psicologia e da Psicanálise em minha vida. Tá certo que sempre fui uma pessoa “perguntadeira”, lembro que na infância, meu livro favorito contava a história de Glorinha, uma menina que queria saber o porquê de tudo. O livro se chamava “A curiosidade premiada”. Não o tenho mais, ele se foi junto com muitas de minhas memórias de menina. Mas se foi fisicamente, porque eu ainda lembro da expressão facial de Glorinha e de sua expressão favorita: “Por quê?”

sábado, 4 de abril de 2015

A culpa é do Judas

Há muito, muito tempo, abandonei o Cristianismo. Foi desde quando tentaram me convencer de que era a única verdade. Não posso com verdades únicas, nunca pude. Posição que não é fácil de ocupar, nem admitir, desde que você viva em um meio cultural fortemente carregado de toda uma série de crenças cuja origem é cristã. Mas infelizmente, não há quem me convença dA verdade, seja A verdade cristã, ou A verdade muçulmana, ou A verdade niilista.

terça-feira, 24 de março de 2015

Sobre o filme Lars and the real girl e a melhor aula de psicopatologia

Estava eu zapeando no menu de filmes da Netflix (digo isso sem esperanças de ganhar uma assinatura vitalícia, tal qual o Sílvio Santos) e passava despretensiosamente pelas sugestões que diziam “Pra você que assistiu...” quando me deparei com um chamado Lars and the real girl, traduzido o título por A garota ideal. Li a sinopse e achei que seria uma comediazinha boa de ver quando não se quer pensar em mais nada. Foi o melhor engano dos últimos tempos. Explico já o motivo.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Carta 21 - Sobre o abandono das fraldas e o tempo, é claro

Meu querido, que saudade!

Já faz um tempão que não te escrevo, mas penso em você todos os dias. Andei um pouco ocupada com algumas coisas e ando demorando mais pra escrever mesmo, não só as cartas pra você, mas todas as outras coisas. Às vezes penso que gastei toda a minha inspiração, mas depois vejo que ela volta. Sabe que quanto mais tempo à toa eu tenho, mais penso coisas e mais consigo escrever? Pois é, o tempo é uma coisa magnífica, na minha opinião.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O curioso caso de Herculine Barbin: "Sou homem ou sou mulher?" no real do corpo


A pergunta “sou homem ou sou mulher?” nos remete à clássica questão histérica, sobre que posição o sujeito ocupa na partilha dos sexos. Ora, bastaria despirmos um sujeito para determinar qual seu verdadeiro sexo? A resposta parece óbvia, e foi exatamente a este tipo de exame que submeteram Herculine Barbin, jovem de 25 anos que escreve suas memórias por acreditar que sua vida acabará em breve. O relato se passa no século XIX e conta a história de uma pessoa que descobre ser hermafrodita, mas só o faz depois dos vinte anos de idade.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Analista-mestre e Pequeno analisante-gafanhoto


Eu nunca gostei muito de filme de lutas, nem nunca me interessei em saber sobre artes marciais tipo kung fu, karatê, judô, etc. Mas como meu marido já foi judoca (se é que alguém deixa um dia de sê-lo) e apaixonado por Karate Kid 1, 2, 3, 4, 5, ad infinutum, vez ou outra me meto a assistir junto com ele. Fato que não me serve de moeda de troca, pois ele recusa-se veementemente a assistir comédias românticas comigo. E aí, acontece que somente na vida adulta descobri que existem os mestres e os pequenos gafanhotos.
Como pude viver até os trinta anos sem saber disso? O marido me explicava que um mestre só é mestre porque tem um pequeno gafanhoto sedento de saber. Ou seja, não existe mestre se não houver um pequeno gafanhoto para beber seu conhecimento, assim como não existiriam pequenos gafanhotos sem mestres. Intrigada diante do que me pareceu uma grande questão filosófica, fui buscar saber mais sobre a dupla e descobri diversas historietas envolvendo mestres e pequenos gafanhotos. A que mais me chamou à atenção foi esta que transcrevo aqui:

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Tarja Branca e Psicanálise: Tudo a ver



Dias atrás, por indicação de uma amiga, assisti um documentário chamado Traja Branca. Mais uns dias depois, assisti de novo. É um documentário que a gente mal termina de ver e já quer ver de novo. Esquisito isso, mas foi exatamente o que senti. É porque Tarja Branca fala sobre a infância e sempre me bate uma nostalgia desse lugar. Não é bem uma vontade de voltar, até porque isso seria impossível, a não ser na ficção científica, quando assistimos De volta para o futuro ou ainda O exterminador do futuro. Esses dois filmes têm o futuro no nome, mas tratam mesmo é da volta pro passado.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Prefácio do livro Em defesa dos avessos humanos

PREFÁCIO

Por Maria Anita Carneiro Ribeiro
Psicanalista 


Isloany Machado é uma despensadora que com sua pena, ou melhor, com seu teclado, avessa o cotidiano e o expõe com o frescor de uma prosa num bar com uma amiga, com o gosto de uma confidência sussurrada, com o calor e o perfume do Planalto Central e da poesia de Manoel de Barros.
Isloany é despretensiosa, e por isto mesmo, o que ela faz é precioso. Diz que não sabe escrever teoria – mas fez Mestrado. Apesar do que diz, às vezes se arrisca a escrever sobre a teoria e a técnica da psicanálise. Mas bom mesmo é quando ela relaxa e se deixa atravessar pelos mistérios da Caverna do Dragão, descoberta por Freud, e que nós chamamos de inconsciente.