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domingo, 7 de dezembro de 2014

Serpente do medo


E então toda a sua pele foi tomada pelo aspecto gelado e viscoso daquela serpente.
Subitamente surgira sob seus pés e subira lentamente.
Lambendo sensualmente cada gota de suor e lágrima paridas por sua presença.
Cintura envolta, cabeça horrenda a olhar nos olhos e aspirar o hálito seco daquele corpo que já não se sabia mais nada além de corpo.
Olhos arregalados, pés paralisados. A serpente a passear por todo o corpo, sempre quente, mas quase morto.
A serpente não lhe propunha questões éticas, como a tal de Adão e Eva. Mas não deixava de perguntar, com cada centímetro de língua, sobre a vida e a morte.
Que queres? Que deseja? Ande!
Como andar se os pés estão atados e arroxeados, cingidos por ela?
A língua, enquanto endurecida por sua presença terrificadora, cruza com seu veneno prestes a se destilar.
E em segundos já não se sabe mais se o corpo é dele ou dela.
Em segundos jaz um corpo paralisado, tal qual uma árvore atacada por cipó parasitário, morto-vivo, morto em vida.
A serpente sempre ali, a ele abraçada e sem lhe tirar os olhos.

Isloany Machado

3 comentários:

  1. e curiosamente parece assim , um encontro profundo com o arcaico , o lugar onde o simbólico pode pouco, pois o pavor lhe subtrai e a vida é outra , nem Deus , nem o Diabo , apenas a vida como testemunha onipresente de cada um , a serpente que nos habita o olhar que insiste em nos olhar . Socorro , parabéns Isloany

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    1. Caro anônimo, suas belas palavras poderiam facilmente ser coladas ao final do meu texto e acrescentá-lo. lindas palavras. obrigada pelo comentário. Escreva mais :)

      Abraço.

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  2. Excelente trabalho e comentários, parabéns a todos!
    Interessante que a serpente mantén-se silenciosa em seu habitat da região coccxigea, de olhar fixo, aguardando sinal preciso, para subir ou descer, conforme o que se quer, deseja, e se entre em ação, para a realização dos ocultos objetivos..

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