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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Por que a Psicanálise? De uma vez por todas!

Outro dia, conversando com um amigo e colega de profissão, ele me contou que estava em uma audiência pública em que ouviu um severo ataque à Psicanálise, no que diz respeito às velhas questões “é ou não é ciência?”, “qual sua eficácia a curto prazo?”, etc. Sem poder rebater da forma que gostaria tal debate, estava ele muito chateado. Desde sua criação a Psicanálise tem sofrido ataques desse tipo, ou piores. Então, dizendo isso para meu marido, ele retruca, indignado: “E vocês não vão fazer nada???”.
Nós psicanalistas geralmente nos posicionamos de modo a falar da teoria e de não responder às críticas, afinal, estamos aí até hoje, aos milhares espalhados pelo mundo. Brigamos entre nós, debatemos teorias, mas aí estamos desde Freud. Todos sabem que não se bate em cachorro morto. Se continuam a bater na Psicanálise, é porque está mais viva do que nunca.             Mas eis que eu ando de saco cheio de ser educada, política, ética. Afinal, nossa ética não nos permite ir a locais públicos para, ao invés de nossa teoria, falar mal das outras. Isso é feio gente. Então, com o saquinho cheio, acho que posso dizer algumas coisas.
            Mesmo que continuem a questionar o status científico da Psicanálise, Lacan bem lembrou que se a ciência da qual estão falando e cobrando para que nos enquadremos seja essa que se propõe a medir o sujeito, não, obrigada, não somos ciência. Se a ciência à qual querem que nos encaixemos é a mesma que enclausurou os “loucos”, não, obrigada, não somos ciência. Se a ciência à qual querem que nos definamos é a mesma que “pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá, mas não pode medir seus encantos” [1], não, obrigada, não somos ciência. “A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem nos encantos de um sabiá” (Manoel de Barros). Vou usar essa frase para dizer que a ciência, com sua mania calculista, não pode calcular quantos cavalos de força existem na pulsão.
            Me desculpem os sabichões, mas a psicanálise não é pra qualquer um. Ela é só pra quem vê poesia nos sintomas, pra quem vê arte na dor.
“A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.”
Manoel de Barros.
            A psicanálise é pra quem prefere ser imbecil, do que saber demais, do que ter receitas prontas, do que ter “alívio já”. Psicanalistas só conhecem um tipo de alívio já: o do Antiácido.   
 Agora entendam de uma vez por todas:
Imagine que você tem uma casa que começa a dar problemas e precisa de reformas. As terapias focais farão a reforma e, por Deus do céu (!), terão sua eficácia garantida e comprovada. Mas a psicanálise é pra quem acha que toda casa, ou seja, toda construção fantasmática, deve ser destruída e reerguida desde a base. Sim, somos exagerados! Sim, nossa relação com o mundo sempre tem uma dosesinha de devastação! Sim, somos angustiados! Sim, choramos alto, soluçamos, descabelamos! Sim, sempre achamos melhor derrubar logo tudo e fazer de novo. Sim, gostamos mais do discurso histérico do que do mestre. Não fazemos o que o mestre mandou! Somos assim desde pequenos, queremos tudo! Não economizamos nem na dor, nem no amor. Mas isso é problema nosso e de quem nos procura e continua em análise, mesmo depois de saber que a casa caiu. Perdeu playboy!
Então é isso, tudo o que queremos é fazer falar o sujeito, o inconsciente, a poesia de cada um. E já chega de torração de saco! Ah, Santa Histeria, rogai por nós e nos dê a santa paCIÊNCIA!

[1] Manoel de Barros

  Isloany Machado, 29 de setembro de 2014.

17 comentários:

  1. Fora o "Mais" com a função de "Mas" achei esse texto excelente! Escreveu lindamente sobre um preconceito atual. A poesia está em baixa hoje também, por isso a psicanálise infelizmente tbm tem sofrido em seu status quo.

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    1. Anônimo, obrigada pela correção! Às vezes a gente lê um texto mil vezes e não vê um erro. "Herrar é omano"...rsrr

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    2. Adorei, o "mais" me inquietaria pois eu pensaria: o que será que ela quis nãodizer?
      qual seria sua real(oi?) função? chiste? ato falho? ato falo?
      não sei, sei que passei por situação parecida hoje e foi gratificante ler seu texto.

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  2. Oi Isloany fiquei feliz de certa forma, em ver o seu texto, pois fui eu quem fez o discurso do qual seu amigo falou e também saí de lá chateada, pois tive medo de ter dado a impressão errada, pois tentei respondê-lo, mas percebi que não consegui ser muito clara e depois quando saí, ele já havia ido embora. Fui chamada a falar, pois trabalho com crianças com diagnóstico de autismo. Quero dizer que não considero que tenho muita experiência e nem muito conhecimento, ao contrário, me formei recentemente, tive poucos pacientes, então pode ser que outras pessoas pudessem ter feito essa função muito melhor do que eu, mas fui indicada pelo professor Osório e tentei responder de acordo com o meu referencial teórico. Antes de explicar o que aconteceu gostaria de me desculpar com você e seu amigo caso tenha ficado algum mal entendido, sou uma pessoa muito nervosa e talvez devido ao nervosismo não tenha conseguido expressar o que quis dizer, além disso, eu tinha pouco tempo e precisava adequar minha fala ao público, mas faço questão de esclarecer meu posicionamento. Bom, o que me foi perguntado pelo defensor público, dentre outras coisas, foi qual tratamento científico está à disposição da criança com diagnóstico de autismo. Um dos motivos para essa pergunta é o de que muitos pais por não terem condições de financiar o tratamento e por considerarem o serviço público insuficiente têm entrado com recursos contra o governo para receber o tratamento. Um dos critérios para a liberação da verba é que o tratamento pretendido tenha demonstração de resultados, seja cientificamente comprovado. Tendo em vista essas questões, iniciei a resposta a essa pergunta dizendo que científico era um problema, pois iria depender do que se entendia por ciência e então coloquei que o CFP regulamenta a abordagem psicanalítica, por exemplo. No entanto, sabemos que parte da psicanálise se diz ciência e ciência da natureza, outra parte se diz ciência, mas uma ciência do espírito, ou algo diferente do modelo das ciências usuais, e ainda outra parte diz não estar preocupada em fazer ciência, existem ainda os que falam que a psicanálise seria uma protociência. Diante disso, respondi que essa parte da psicanálise que diz estar comprometida com a ciência com certeza não está comprometida com a mesma ciência que a Análise do Comportamento e então, a partir do que a Análise do Comportamento entende por ciência, a psicanálise não tem dados produzidos que sejam passíveis de mensuração, observação e replicação e nesse sentido ela não tem dados para nenhuma das áreas nas quais ela é aplicada. Com isso, não quero dizer que a psicanálise não possa ter sua função, afinal o conhecimento não é somente aquele produzido pela ciência. Porém, o que ele me perguntou foi a disposição de tratamentos científicos, assim, sabemos que o termo ciência tem um peso, significado histórico, logo o comprometimento da minha fala foi com as famílias que procuram o tratamento, principalmente logo após diagnóstico, as quais em geral não sabem que existem diferenças entre as abordagens; elas procuram um psicólogo e pode-se dizer que o fazem porque imaginam que esse seja um atendimento científico e que como tal elas irão se beneficiar dos produtos que entendemos ou dizemos que a ciência oferece. Assim, o problema não é que a psicanálise tenha que ser ciência, mas o de que se ela não pretende ser e não é considerada como o sendo, que isso esteja claro ao público, então, quem a procura o fará sabendo o que pode receber. Quero te dizer que eu já fui a psicanalista, já participei de grupo de pesquisa em psicanálise, diga-se de passagem, uma ótima psicanalista, mas eu sabia o que estava procurando.

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  3. Assim, o problema no meu ponto de vista não é a discussão teórica dentro da academia ou mesmo do diálogo epistemológico, a questão com a qual me preocupo é com o efeito na vida das pessoas. Se os filósofos, cientistas, religiosos, enfim, qualquer um, quiser discutir se esse modelo de ciência atual é o ideal, se ele não considera o sujeito, qualquer coisa, não vejo problema, não acho que a análise do comportamento é uma verdade absoluta; acho mesmo que algum dia a análise do comportamento pode vir a ser considerada uma filosofia, ou uma bobagem, o maior erro da história, sei lá, mas estou respondendo ao que está acontecendo nesse período histórico, ao que convencionamos chamar de ciência nos tempos atuais. Então, quando me perguntam qual o modelo científico de tratamento, eu vou responder conforme o período e o referencial teórico. Nesse sentido não vejo sentido eheh em não dizer: isso aqui se considera ciência, isso aqui não. Então, sou a favor do esclarecimento a respeito da psicologia, acho que não fazemos nenhum obscurantismo para não podermos esclarecer ao público as diferenças entre as abordagens e então, deixar a população ficar livre para escolher qual o melhor tratamento para ela, ou ela pode ir aos dois caso queira, como sei de alguns casos, mas aí a condição é diferente. Fora essas questões, também não acho que você precisa ser educada como você mencionou, no sentido de não defender o que pensa, ao contrário, acho que o excesso de diplomacia não traz crescimento, pois todo mundo fica fingindo concordar com todo mundo. Assim sendo, também acho bem cansativa a critica de que somos mecânicos, não consideramos os sentimentos ou nos achamos sabichões. Penso que é bem ao contrário, afinal você coloca em seu texto “Me desculpem, mas a psicanálise não é para qualquer um”, -se bem que eu já sabia disso desde que li “Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise”-, mas o que quero dizer é que a análise do comportamento ao contrário, assim como a ciência, é para qualquer um. Por isso, sua linguagem se pretende simples, sem rebuscamentos metafóricos, alegorias, para as quais só a elite intelectual possa estar “preparada” para entender. A ciência é para ser criticada, posta a prova. Em todo caso, fora discordâncias teóricas, gosto dos debates acadêmicos e acho que posso aprender com você. Caso você ou seu amigo queiram dialogar a respeito estou à disposição, quase sem tempo, mas à disposição.

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    1. Querida, eu entendo perfeitamente quando você diz que pode ter havido mal entendido. A comunicação é sempre feita de mal entendido mesmo, nunca conseguimos dizer tudo. A questão do autismo é muito séria e nós psicólogos estamos implicados nisso até a tampa, temos que estar mesmo. Quando você diz que “Um dos critérios para a liberação da verba é que o tratamento pretendido tenha demonstração de resultados, seja cientificamente comprovado”, isso é como entende o governo, porque está preocupado com o tempo, a despesa que terá em cada tratamento, etc, questões muitas vezes políticas. Mas cuidado para não cair nesse engodo, porque às vezes essa pressa exigida pela sociedade é avessa às questões humanas. Você sabe disso. Eu concordo plenamente com você quando diz que o “científico” é um problema. Mas é um problema que deve ser discutido academicamente. A palavra tem peso e quando você tenta explicar pra um público de não psicólogos as diferenças entre as teorias, as diferenças entre psicanalistas que defendem que a psicanálise é ciência da natureza ou do espírito, corre um grande risco de cometer uma grande gafe, porque o debate é muito mais complexo. As pessoas que têm familiares com autismo, ou qualquer outra questão psicopatológica estão ávidas por conforto, por respostas, e podem usar algo que você disse, mesmo sem intenção, como verdade para dizer que a psicanálise não serve. Agora, quando você diz que “essa parte da psicanálise que diz estar comprometida com a ciência com certeza não está comprometida com a mesma ciência que a Análise do Comportamento e então, a partir do que a Análise do Comportamento entende por ciência, a psicanálise não tem dados produzidos que sejam passíveis de mensuração, observação e replicação e nesse sentido ela não tem dados para nenhuma das áreas nas quais ela é aplicada.”, isso é um problema. É verdade que a epistemologia (teoria do conhecimento) à qual a psicanálise se vincula é diferente da análise do comportamento, mas dizer que a psicanálise não tem dados produzidos, é uma grande gafe. Nós temos milhares de casos clínicos publicados. Pra você ter ideia, ano passado fizemos uma jornada sobre autismo aqui em Campo Grande e foi fenomenal. Não acreditamos em “mensuração”, nossas análises não são mesmo quantitativas, mas se a psicanálise está aí até hoje, mesmo com todos os ataques, é porque sua clínica e seus resultados se sustentam sim. Então uma coisa dita pode dar a entender sim que a psicanálise não serve. As famílias não sabem as diferenças de abordagens, mas sejamos justos e mostremos a elas nosso trabalho, sem entrar nas questões acadêmicas. O que é ruim de engolir é colocar a psicanálise numa posição de obscurantismo, de engodo, para as famílias. Isso não é verdade! Os casos estão publicados, para quem quiser ver. Aí sim para qualquer um. Também não acho que a psicanálise é uma verdade absoluta, aliás, nem acredito em verdades, quanto mais absolutas. Acho que a população precisa ser informada das possibilidades, lembrando que a psicanálise é perfeitamente reconhecida pelo CRP, como você mesma disse.
      Ainda bem que temos espaço para falar! Me desculpe o tom irritado do meu texto, mas é que também já estamos cansados de críticas muitas vezes infundadas. Nossos resultados estão aí para quem queira ver.

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    2. Oi Tarita. Eu sou o mal entendido. Não imaginava que nossa discussão extrapolaria os muros da audiência. Mas que bom que extrapolou.
      Fiquei incomodado com o ponto que apontei em sua fala aquele dia, justamente por que estava te escutando e gostando muito do que ouvia. Você demonstrava experiência no campo, comprometimento com a questão, coisas que sempre considerei fundamental.
      Mas não pude concordar quando você falou que a psicanálise não tinha o mesmo comprometimento com a ciência que a análise do comportamento e que não havia produzido nada, referente a questão do autismo, dentro de um espaço que não era possível discutir e definir os termos do que é entendido como ciência e do que é entendido como resultado.
      Quando ouvi isto, uma parte minha ficou admirada de sua coragem de dizer o que disse, sem se preocupar com o politicamente correto, outra parte se sentiu convocada a entrar numa disputa sobre as concepções para defender o meu ponto de vista e outra me pediu prudência.
      É com esta que estou agora. E reitero o que disse na audiência. Devemos dialogar que é o que estamos fazendo agora.
      Tenho certeza que tenho muito que aprender contigo, mesmo que venhamos a discordar em algumas premissas. Tenho certeza que temos muito que aprender uns com os outros.
      Ruben Lemke

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  4. Oi Rubens, desculpa não responder melhor, estou muito cansada mesmo. Mas, assim eu não disse que a psicanálise não tem o mesmo comprometimento com a ciência que a análise do comportamento, eu disse que ela não tem comprometimento com a mesma ciência que a Análise do Comportamento, no sentido de que o que essas vertentes entendem por ciência é mto diferente, eu iniciei falando nesse sentido, para tentar explicar q estava falando a partir de um referencial, falei q a psicanálise não tem dados a partir do que a A.C entende por ciência, mas nesse sentido talvez a A.C também não tem dados para o que a psicanálise entende por ciência. Em outro momento podemos conversar melhor, mas acho q vc tocou em um ponto q faz muito sentido para mim, q é a questão de tentarmos em todas as nossas relações disputar, confesso q preciso melhorar muito nesse sentido, mas estou trabalhando nisso. No mais, quando quiser pode me adicionar e conversamos melhor. obs:Isloany, peço desculpa por não te responder no momento, mas estou mto cansada, não li ainda o q vc escreveu.

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  5. Oi Isloany, desculpa a demora em responder. Entendo que existem diversas formas de entender e fazer ciência. Porém, quando categorizamos algo é porque os membros dessa categoria possuem mais características comuns do que incomuns, do contrário não faria sentido que pertencessem a mesma categoria. Assim, no meu entendimento psicanálise não é ciência porque compartilha poucos critérios em comum com o que convencionamos chamar de ciência e possui muitos critérios diferentes da categoria ciência. Mas, pelo que li sobre sua resposta não sei se tem utilidade continuarmos essa discussão, pq o que vc chamou de dados, eu não entendo como dados científicos, casos clínicos, principalmente no método psicanalítico e por mais uma série de motivos tem diversos problemas com os critérios para ser considerado dado científico, mas isso acontece também principalmente porque o que entendo por ciência e por dados é muito diferente do que provavelmente você entende por ciência e por dados. Então, se continuarmos eu vou te dizer pq não é e vc vai dizer pq é e gastaremos tempo em algo que não sei se tem alguma utilidade prática, ou seja, em que isso vai alterar o que fazemos e conseqüente a vida daqueles para quem o fazemos? E se houver alterações, será para o "bem"? Não sei. Isso porque, no momento estamos falando de coisas muito distintas, por exemplo, você acha que o encanto do canto dos pássaros não é mensurável, eu te digo que é, certamente não pelo método psicanalítico e aí mais um dos problemas no meu ponto de vista. Mas, meu incômodo maior é que teorias afetam a prática e erro teórico é erro na prática (plagiando Skinner ehehe). Não entenda isso como uma ofensa a vc e nem se quer a psicanálise, mas como uma preocupação verdadeira com a aplicação e eficiência das teorias na vida das pessoas. Sei que pode ser útil criticar alguns aspectos da ciência, acho que isso é válido pq a modifica, aprimora, talvez. Mas, não se pode esquecer que as pessoas sofrem e vc deve saber que muitos dos problemas enfrentados por pais e crianças com autismo não é nenhum pouco poético, é crítico mesmo, é falta de estrutura, é problema escolar, é alteração de medicamentos e um monte de coisas q vc deve saber tb, Então, leve isso como a fala de alguém preocupada com o sofrimento, pq sou boazinha? Não, pq tb já sofri bastante e sei o q é procurar por algo e não conhecer e não ter oportunidades e assim por diante. Outra coisa que penso que talvez seja legal para refletir, ou talvez não tb ahah, é que como vc mesma disse, a psicanálise é questionada quanto ao seu caráter científico desde que surgiu até os dias de hoje, não seria interessante se perguntar qual o motivo?

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  6. Talvez vc já tenha se feito essa pergunta. Mas, no meu entendimento isso acontece pq ela não convenceu de que é ciência, nem se quer para ela mesma, tanto que muitos ótimos psicanalistas vão dizer que não fazem ciência; e não tem problema nenhum nisso, a não ser pelo fato de que ela está nos departamentos de psicologia e a psicologia sempre se pretendeu científica e consequentemente boa parte das pessoas que procuram por psicologia procuram por ciência, no sentido usual, como já expliquei.Sei dos pormenores disso, mas não vou discutir pq como disse acho que não terá utilidade nenhuma. Meu objetivo foi mesmo me desculpar com seu colega, pq me importo com o efeito das minhas ações nas pessoas, então ficaria chateada em ter ofendido alguém. No entanto, não me importo em não ser diplomática com teorias, no meu entendimento elas existem para isso, se não pudermos criticar, questionar, é um dogma não uma ciência, nem se quer uma filosofia. Por mais difícil que seja, acho que é preciso separar crítica as teorias de críticas pessoais. Tenho amigos da psicanálise, tive professores ótimos nessa linha, mas sempre que eu achar que qualquer prática pode ser menos efetiva, eu vou dizer, com risco de errar e ser criticada, mas vou dizer, pq meu comprometimento nunca foi com os eruditos. Por último, quero dizer que não é uma gafe pq eu consigo explicar o motivo e o embasamento de tudo o que eu disse e também não é feio criticar teorias, principalmente em público no qual vc, seu colega, o João o José e a Maria poderiam me responder, aliás, foi exatamente isso que vc fez em seu blog e não vejo problema algum. Enfim, vamos ficar por aqui pq acho que ganhamos mais, como alguém um tanto pragmática, acho antieconômico fazermos isso ehehe. Qualquer questão pessoal peço desculpa, qto a questões teóricas no momento minha posição é essa. Obgda pelo espaço.

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  7. Me formo esse ano em Psicologia escolhi como abordagem a Psicanálise, tive a oportunidade de estudar todas as teorias de quase todas as abordagens disponíveis e pra mim a psicanálise foi a abordagem que realmente vê o ser humano, não diria de forma poética, mas o vê muito além do ele parece ser, ou seja, não é sua superficialidade é o seu verdadeiro eu, seu mundo interno e quando seu mundo interno é trabalhado, as mudanças internas e necessárias serão realmente capazes de transformar a si e ao seu meio. Peço a Tarita que tenha cuidado com os excessos de pragmatismo, pois ser prático não é o mesmo que ser eficaz. Agora se os estudos psicanalíticos e os casos clínicos disponíveis não são provas cabais e suficientes da competência da psicanálise pelo que você chamou de falta de "ciência" ou "ciência diferenciada", desculpa, mas ciência que eu saiba, também precisa ser empírica e os casos clínicos são ao meu ver, a explicitação dos progressos obtidos por meio das intervenções psicanalíticas. Aprendi que na psicanálise não se faz intervenções a esmo, sem fundamentação senão não teria porque se utilizar dos conhecimentos produzidos por Freud, Klein, Winnicott, Bion e tantos outros e digo mais, o CRP não reconhece a Psicanálise só pela sua importância mas porque seus conhecimentos são sim científicos tem relevância prática e acadêmica. Não é a psicanálise que fora elitizada foi a psicologia, não precisa ser erudito pra passar por análise e nem analisar, basta querer ajudar o outro a modificar, reestruturar em si mesmo algo que é disfuncional, que lhe causa angústia e traz prejuízos a sua existência como ser no mundo. Teoria é importante sim pois embasa a prática, a prática sem teoria não é prática científica, teoria são afetam a prática se não houver discernimento e questionamento quanto a melhor forma de sua utilização por parte do profissional. Não tenho muita experiência com pacientes mas tive alguns e tive ótimos professores das mais diversas abordagens e todos eles (independente da abordagem) reconhecem a importância, a ciência e os acréscimos da psicanálise.

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  9. Olá!
    Essa tua "costura de palavras" é de 2014, mas é mais atual do que nunca. Tive somente agora a oportunidade de acesso a ele e pude me deliciar com essas belas costuras.
    Reconheço sim que a psicanálise incomoda sim, por é tão odiada, e tão amada também.
    E a poesia! É como dizia Freud - o poeta chegou primeiro.
    Grande abraço e parabéns.
    Tácito - Psicólogo

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