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Leia aqui o texto que inspirou o nome do Blog!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Diálogos do cotidiano - Pecado

Além do olho torto, eu confesso que sempre tive o ouvido torto também. Me explico. Desde criança sempre me ensinaram sobre pecado, mas tinha alguma coisa que me incomodava. Depois que cresci, parei de pensar nisso. Como se o peso do pecado tivesse se descolado de mim. Quando isso acontece, somente assim, é que se pode rir dos pecados. Num dia qualquer, em um diálogo qualquer, meu marido diz:

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Inspiração

E eis que de repente a inspiração se esvai. Bato a cabeça na parede tentando parir alguma ideia, mas nada. Olho todos os textos inéditos na prateleira, mas nenhum me agrada. E agora José? Só consigo pensar nas ideias dos outros. Quando acabou minha inspiração? Será que eu já disse tudo o que tinha pra dizer? Tento pensar quando foi que minha inspiração fugiu de mim. E, inevitavelmente, lembro do momento em que comecei a escrever. Não a escrever como aprendizado da infância, mas a escrita que me veio em enxurradas desde que a água viva me queimou. Foi quando meu primo decidiu partir para a terra do nunca mais.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Tudo o que não conversamos

Não tenho medo de falar dos meus medos. E tenho muitos medos. Tenho medo de cair em público, medo de perder alguém que eu amo, medo de morrer, medo de rato. Até outro dia tinha medo de dirigir. Na minha segunda aula de direção, caí num choro inconsolável, que deixou sem graça meu instrutor. Mesmo com medo, consegui passar na prova, mas somente um ano depois é que eu consegui dirigir sozinha. Com a boca seca, as pernas bambas, e mal conseguindo respirar, fui de casa até o trabalho. Foi assim no primeiro, no segundo, no terceiro dia. Depois a boca não secou mais, nem as pernas bambearam. Agora já consigo dirigir e respirar, dirigir e ouvir e cantar músicas, dirigir e conversar, dirigir e dar carona. Ainda não sei fazer baliza, mas paciência.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Perdemos a Copa. Chamem a Psicóloga!

Nem bem se passaram dois dias desde nossa derrota na Copa e eu já não estava mais aguentando ouvir falar da maldita goleada. As cenas dos sete gols se repetem e repetem e repetem na televisão, nos telejornais, nos programas de esporte, nos programas de comadres, etc, etc. Confesso que só consegui ver o jogo até o quinto gol da Alemanha. Depois saí da frente da televisão. Parei não porque fiquei com raiva ou por torcer só enquanto se ganha, mas é que estava difícil de acreditar no que os olhos estavam vendo. Foi difícil ver a reação dos jogadores a cada gol tomado naquele pequeno espaço de seis minutos. A palavra era: inacreditável.

terça-feira, 8 de julho de 2014

A freira de costas

            Há meses ando remoendo uma cena, sem coragem de escrever. Eu andava à pé e vi uma freira de costas. Seu hábito era cinza e, como de hábito, sua cabeça estava coberta. Teria passado despercebida se não fosse aquele gesto. Não sou católica, então, meu contato com freiras nunca foi maior do que vê-las andando por aí, sempre em duplas. Ficava curiosa com o modo de vida delas. Em minha santa ignorância sei que há vários tipos delas, de acordo com a opção, o voto de pobreza. Sei também do voto de castidade.