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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Carta 12 – Sobre a ética, a impunidade e a justiça

Querido sobrinho,
Já está se tornando um mantra dizer que sinto saudades, não é? Mas não há como não dizer. Estamos longe um do outro e fico tentando pensar em maneiras de minimizar isso. Talvez eu sempre seja aquela tia que mora longe, que você vê de vez em quando. Então, queria que você soubesse, de alguma maneira, que eu sempre penso em você e tive a ideia de te escrever essas cartas, mesmo que você ainda não saiba ler. Sei que talvez um dia isso possa servir para alguma coisa. Também o que escrevo aqui não é a verdade absoluta. Talvez esta seja a minha verdade, e colocar isso no papel é uma forma de te dizer como encontrei um caminho alternativo contra tudo o que quiseram me fazer acreditar. Mas sabe, pequeno, tudo o que a gente aprende gruda em nós de um jeito que parece piche. Às vezes eu gostaria de me livrar de algumas coisas da memória, mas não consigo. Explico melhor.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Dois anos depois


Meu querido primo,
Esta noite eu sonhei com você. Obrigada pela visita. Alguns diriam que sonho é realização de desejo, e eu sei disso. Estou com saudade, seu puto. Gosto da ideia de que veio me visitar, me faz pensar que tem saudade de mim. Eu te vi no sonho com o mesmo aspecto que você tinha na adolescência: magricela e com os cabelos todos na cabeça. Depois resolveu adotar a cabeça raspada e as tatuagens. Tenho que te dizer que careca, seu nariz ficava ainda maior.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Carta 11 – Sobre a loucura, e só.


Meu querido, feliz ano novo!
Da última vez que nos vimos, você completava um ano de vida. Como estão as coisas? As pernas já estão mais fortes? Já consegue andar sem que tremam tanto? Vou te dizer uma coisa: aproveite a sensação das pernas tremendo, são poucas coisas na vida que fazem a gente sentir isso de novo. Sabe meu bem, cada vez menos as pessoas aguentam sentir. Sentir o que, tia? É o que você deve estar me perguntando. Sentir tudo. A nossa vida tem se tornado cada vez mais um turbilhão de coisas a serem feitas, e o tempo é curto. Não dá tempo de parar pra sentir. Sabia que agora, se uma pessoa que você ama morre e depois de quinze dias você ainda estiver triste, seu luto é patológico?

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Pés estranhos


Nunca fui do tipo de mulher que cura tristeza comprando sapatos. Portanto, tenho poucos pares. Outro dia, li em algum lugar que as mulheres são loucas por sapatos, que compram e nem conseguem usar todos. Fiquei a pensar na minha relação com tal acessório. Sim, porque nem de longe usamos sapato para proteger os pés, tal como nossos antepassados homens das cavernas. Pelo contrário, sempre achei que principalmente as mulheres têm uma relação sado-masoquista com os próprios pés. Antes era minha mãe, agora é meu marido que diz: “você sempre compra sapatos iguais!!!”. Antes era minha mãe, agora é meu marido que diz: “Use um salto!!!”. Hei mundo!! Eu odeio sentir dor!! Me deixem em paz com meus sapatos iguais e sem salto!!!