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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cachorro procura dono perdido

Texto baseado em fatos reais
Tenho muitos amigos que gostam muito de cachorro. Nem tantos gostam de gato. Diariamente recebo fotos de cães que precisam de alguma coisa: um lar, a caridade alheia para sobreviver das doenças, etc. Quando achei que já tinha recebido tudo que é tipo de pedido de ajuda, hoje recebi com um estalo a foto de um cachorro procurando seu dono. Quase chorei. Eu fiquei imaginando como se teria perdido o seu dono. Foi esta a primeira pergunta que me veio à cabeça. Talvez estivessem passeando ambos. O cachorro bem senhor de si, sabendo a quem amava – seu cuidador – andando faceiro abanando o rabo orgulhoso de seu dono. Haveria de ter encontrado outros cachorros na rua, teria cheirado suas bundas e dito: “vejam, aquele ali é meu dono, estou passeando com ele”.

domingo, 17 de novembro de 2013

Do pó vieste e ao pó voltarás

E logo eu que sempre gostei tanto de livros...


Eu tenho o costume de caminhar olhando para o chão. Antes eu achava que era timidez, mas aprendi com Manoel de Barros que olhar para o chão é melhor, há coisas celestiais no chão, junto com os vermes, com a poeira. Também aprendi que mudar a ordem das palavras e seus sentidos não é doidice. Até inventei um pensamento assim logo que estava acordando ontem: “Como pedra, água e lógica”. Ainda não inventei um sentido pra essa frase. Manoel foi criado no mato e aprendeu a gostar das coisinhas do chão, antes que das coisas celestiais. Pensando nisso, eu resolvi fazer as pazes com as coisas celestiais. Conto o porquê. Outro dia virei a esquina de casa e, olhando para o chão, como de costume, vi aberta num pedaço quebrado da calçada, uma Bíblia. Ela estava na terra, aberta, no livro de Lucas. Eu parei. Olhei. Fotografei. E logo eu que sempre gostei tanto de livros...não consegui mover um passo na direção em que ela estava. As folhas finas se embaralhavam com o pouco vento que tinha, e meu pensamento viajou algumas léguas ao vento.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Carta 4 – Sobre o amor e a solidão, ou a solidão do amor

Meu querido,
Depois da última carta, fiquei pensando se peguei muito pesado com você ao falar desse buraco que nos constitui. Talvez seja ainda muito cedo para te dizer essas coisas, mas acredito que mesmo antes de você poder entender, de alguma forma já sente. Como? Bem, nem sempre que você tem fome sua mãe te atende imediatamente, não é? Já está percebendo que o leite dela e você não são uma coisa só? Meu pequeno, é assim mesmo que aprendemos isso, não fique bravo com a sua mãe, estou certa de que ela quer o melhor pra você. O que não quer dizer que ela vai acertar em tudo, tenha paciência.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Seu nome era Maria



            Engana-se elipticamente quem acredita ser este um texto sobre Maria, a Santa Mãe. Se era esta a intenção do leitor, pare imediatamente de ler. Conto a história de outra.