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domingo, 27 de outubro de 2013

Emma B.



Não se pode dizer que era uma mulher de família. Digamos que esteja mais para uma mulher familiar. Nada poderia haver de mais familiar em uma mulher bem casada, mãe, que acordava todos os dias às seis da manhã. Olhava aquele que saía para trabalhar sempre no mesmo horário, com o mesmo beijo na testa. Quem sabe se uma nova paixão aplacaria essa falta? Ir ao shopping, ir às compras. Alisar, aumentar, ou enrolar os cabelos.

Mais do que amar, queria ser amada. O que ela mais amava era ser amada. Mas com um beijo na testa? O amor exige arrebatamentos, pensava. Não sabia que o amor é bicho esquisito, é objeto nunca esquecido, mas nunca alcançado. Amor é corpo? Amar é sempre pouco. Amar, amar, amar, até que o amor se torne porco. Um porco que saia correndo no meio do mato. Tentou algumas vezes, desistiu.

Pensou em morrer, mas não de amor. Não tinha por quem. Senta-se agora, todas as noites, na escadaria da igreja matriz. Adotou o nome de Emma Bovary. A saia curta, o batom coral a lhe queimar os lábios. Nada de beijos na testa. Vive de arroubos amorosos, vende amor, vende corpo. O dinheiro? Guarda no porco.

Isloany Machado, 29 de setembro de 2012.

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