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domingo, 22 de setembro de 2013

Carta de despedida




Querida mamãe,

Estou escrevendo para me despedir de você e de todos os meus queridos. Partirei esta madrugada em busca de uma pessoa. Penso que talvez não compreenda minha decisão, mas quero que entenda que nunca amei assim antes. Ela tem olhos tão sedutores, mas tão sedutores, que me fazem acreditar que ali estão todas as respostas do mundo. Mamãe, estou apaixonado! E que prazer encontro ao sentir o perfume de seus cabelos! Não posso mais viver longe dela. Eu andava por aí perdido neste mundo mamãe, sem saber que rumo tomar. Já havia perdido tudo que tinha, até mesmo meus mais ternos amigos. Eu vivia entorpecido, alcoolizado. Foi aí que ela surgiu. Mas não pense minha querida mãe, que você tem culpa em meu sofrimento. Cada um faz o que pode com o que tem da vida e eu sei que você me amou com tudo que podia. Então não chores com a minha partida, nem se culpe pelo fato de eu querer me lançar nos braços de outra mulher. Um dia você vai conhecê-la. Ela é tão doce. É uma promessa de gozo incalculável. Todo o meu ser pulsa por ela muito mais do que por qualquer outra coisa na vida. Chega a doer. Imagino que ao lado dela as horas todas passarão e persistirá um tempo despovoado e profundo, para usar as palavras de Cecília Meireles. Nesta madrugada eu me lançarei ao seu encontro num salto. Tomarei uma garrafa de whisky antes de encontrá-la. Calma mamãe, eu preciso ir embriagado porque sua beleza é tanta que me ofusca, não me é possível olhá-la assim tão sóbrio. Parto feliz e peço mais uma vez que não chores por mim. Se quiser, reze por mim, para que eu encontre as respostas que a vida não me deu, nesse amor tão grande que sinto por ela. Sei que as pessoas me julgarão por este ato aparentemente impensado, mas já pensei muito, hesitei, relutei. Não posso mais adiar este encontro. Diga a meu pai que não sou covarde, que é preciso muita coragem para deixar tudo por ela.

Com amor, seu filho.

Isloany Machado

Campo Grande, 24 de maio de 2012.

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