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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Carta para Dona Crase


Caríssima Dona Crase,

Faz já muito tempo que estou para escrever-lhe esta carta. Só agora me encorajei. As pessoas que me conhecem bem, talvez desde a infância, já sabem que eu sou meio avessa a regras. Não gosto muito de formalidades, nem de ditaduras. O que não quer dizer que eu não tenha que me submeter a elas de vez em quando. Esta aversão estende-se para diversas coisas na minha vida. Não aceito verdades impostas, ando sempre no caminho torto da dúvida, não sem algum sofrimento. Também não gosto dos engessamentos de alguns tipos de escrita. Prefiro que as palavras corram soltas, livres, sem rima ou rumo.



Pois bem, achei que era hora de te escrever quando, dia desses publiquei um texto e uma pessoa veio me dizer que estava faltando a senhora Crase no título. Então, Dona Crase, escrevo para lhe dizer que por sua causa, a pessoa em questão nem conseguiu ler meu texto, ela parou no título e, sentindo ali sua falta, empacou. É Dona Crase, muitas pessoas dão mais valor à forma do que ao conteúdo. Mas o que mais me chateou, foi que eu havia meticulosamente pesquisado se havia ou não de colocar a senhora ali. Adivinha?! Eu não tinha mesmo que colocar. Acontece que a senhora, Dona Crase, sempre se meteu na minha vida onde não devia ou não se meteu onde devia.

Sabe Dona Crase, me desculpe a franqueza, mas nunca me desceu muito bem esse seu jeito de nariz empinado, sempre um agudo às avessas, cheia de caprichos, de toques e não me toques. Me lembra o jeito daquelas mulheres dos livros de José de Alencar, mocinhas finas e frescas, derrubando os lencinhos para fazer charme aos pretendentes. Ah Dona Crase, não se meta no meu caminho! No último acordo ortográfico fiquei na expectativa, acreditando que aboliriam seu uso na língua portuguesa. Mas qual não foi a minha surpresa quando soube que tiraram o senhor Trema, que nunca fez mal a ninguém, sempre com sua presença tímida. O senhor Trema nunca deixou ninguém numa dúvida terrível, tal qual a que você me submete. 
Portanto, peço por obséquio, que não se meta onde não deve e nem se faça de rogada quando tiver que comparecer. Proponho este acordo e espero que a senhora cumpra.

Cordialmente,

Isloany Machado, 27 de maio de 2013.

P.S.: Não repare no tom hostil de minha carta, mas é que já sofri muito por causa da senhora e agora já basta.

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