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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O palhaço



Olhava o palhaço e estava convicto de que havia algo de errado ali. Seus pais sentaram-se com ele na primeira fileira do circo, de modo que pôde olhar cada detalhe. Era a primeira vez que via um palhaço tão de perto, na verdade aquela figura sempre lhe causara uma espécie de medo inexplicado, daqueles que chamam fobia. Ninguém entendia como uma criança podia ter um medo assim de um palhaço, uma figura que só quer fazer rir. Sentia-se idiota por ter tanto medo. Evitava qualquer contato. Quando o carro de som passava anunciando a chegada do circo, escondia-se embaixo da cama durante horas. Seus pais insistiam em levá-lo, pois acreditavam que um homem precisa enfrentar seus medos desde sempre. Encolhia-se entre as pernas da mãe e virava o rosto diante da aparição da figura tragicômica, sentia o peito pular sob a camisa xadrez preferida dele.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Carta para Dona Crase


Caríssima Dona Crase,

Faz já muito tempo que estou para escrever-lhe esta carta. Só agora me encorajei. As pessoas que me conhecem bem, talvez desde a infância, já sabem que eu sou meio avessa a regras. Não gosto muito de formalidades, nem de ditaduras. O que não quer dizer que eu não tenha que me submeter a elas de vez em quando. Esta aversão estende-se para diversas coisas na minha vida. Não aceito verdades impostas, ando sempre no caminho torto da dúvida, não sem algum sofrimento. Também não gosto dos engessamentos de alguns tipos de escrita. Prefiro que as palavras corram soltas, livres, sem rima ou rumo.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Diálogo entre o personagem de Memórias do Subsolo e o Pequeno Príncipe



- Hei, pequeno príncipe, estamos aqui lado a lado nesta estante e eu não pude deixar de reparar no quanto és cheio de cores e, até certo ponto, otimista. Mas creio que sejas ingênuo demais para as coisas da vida.

- Por que o senhor me parece assim, tão rabugento?

- Sabe garoto, há muitas coisas que você precisa aprender. Se quiser, quando eu tiver tempo, posso lhe dizer algumas coisas.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

As lembranças e as coisas





Uma das lembranças que tenho da infância é uma história que minha mãe contava algumas noites em que eu não conseguia dormir. A história era sobre uma mulher que se chamava Filomena. Mamãe nunca me disse se era verdadeira, se era invenção dela ou se fora contada pra ela também, como aqueles contos que são reproduzidos em muitas e muitas gerações até se tornarem verdades. Vamos à história. A tal mulher morava sozinha havia muitos anos. A casa era habitada pelas lembranças dela. Havia muitas lembranças. As pessoas que haviam morado na casa já tinham ido embora.