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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Super-heróis em crise



Nunca gostei muito das histórias de super-heróis, mas às vezes, para ter companhia do marido nos filmes românticos, dramáticos e cults, a gente acaba aprendendo a gostar de fazer companhia nos filmes de ação, aventura, ficção científica, etc. Os super-heróis passaram a fazer parte da minha vida dessa forma, não que eu nunca tenha ouvido falar deles, mas nunca dei muita importância. A única coisa que eu sabia sobre eles era o quão imbatíveis, invencíveis e corajosos eles são. Pelo menos eram durante nossa infância, ou melhor, eram até outro dia. Me lembro que há alguns anos assistimos um do super-homem cujo cabelo sequer despenteava enquanto ele voava no infinito. Mesmo com todos os conflitos de um Clark Kent, os super-heróis bancavam as próprias armaduras. Havia um momento em que o medo do humano era absolutamente substituído pela couraça da roupa heróica.

Mas eis que agora os super-heróis estão demasiadamente humanos. Me explico. O batman tem problemas no joelho e perdeu toda a sua riqueza; o lanterna verde quase é dominado pelo medo e falta pouco pra desistir de enfrentar seu inimigo; o que mais ameaça o super-homem passa longe de ser a criptonita, são as perguntas existenciais: “quem sou eu?”, “de onde eu vim?”, “que querem de mim?”. O homem de ferro, o terceiro, tem “crises de ansiedade” paralisantes, quase pânico e, ao descobrir o diagnóstico, pergunta: “Crise de ansiedade, EU?”. Será que os super-heróis estão demasiado humanos ou será que fomos nós que crescemos? Será que a lógica do inconsciente chegou ao mundo dos super-heróis? De certa forma, eles sempre foram sujeitos divididos, com pé na humanidade e outro no heroísmo. O pé na humanidade os fazia se apaixonarem, terem um aspecto de insegurança, que era suplantado pela armadura. O pé no heroísmo os fazia voar, seja porque tinham super-poderes ou dinheiro para construir seus próprios recursos para tal. O lado humano tinha lá suas inseguranças, mas o herói não. O herói levava a mocinha pra voar.

Poderíamos pensar que o herói era o “ego forte”, mas parece que a lógica freudiana de um ego que não é senhor em sua própria morada invadiu o mundo dos super-heróis. Ou será que fomos nós que crescemos demais? Talvez os homens de ferro já não tenham medo de mostrar suas fraquezas, de dizer que estão fora do controle. Que o timoneiro da embarcação é outro, mas não outro fora, e sim outro de si. O medo está ficando cada vez mais líquido, e está difícil de aprender a nadar porque o líquido é espesso, tal como aquele que gruda no homem aranha em um dos filmes. Por falar em homem aranha, o último que assisti mostrou um adolescente rebelde, bem diferente dos outros com aquela timidez escondida sob os óculos. Demasiado humano. Super-heróis são homens de ferro, pero no mucho. “Somos feitos de carne, mas às vezes temos que viver como se fôssemos de ferro” (Sigmund Freud). Os super-heróis estão em crise. Nossos super-heróis estão ficando cada vez mais parecidos conosco. Ou será que fomos nós que crescemos?


Isloany Machado, 28 de abril de 2013.

5 comentários:

  1. Que descortinada! Muito Bom o texto.

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  2. Isso existe desde sempre, pelo menos na Marvel, o IronMan 3 tem raízes na saga Demon in a Bottle de 1979, Batman dos cinemas vem de histórias de 1986, Lanterna Verde existiram vários Hail Jordan sempre foi mais humano por ter caído de paraquedas na função e SuperMan sempre se questionou por ser o único (por muito tempo) membro de sua raça, sobre suas origens e seu destino, bem para quem lê as histórias, não há nada de incomum na abordagem do cinema, elas até são leves demais.

    Namastê

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    Respostas
    1. Então vai ver que fui eu que cresci...

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    2. Que isso, só descobrirmos que a vida muitas vezes imita a arte, se ler a saga de Thanos, vai ver um vilão super inteligente, que antes de rivalizar na força bruta, coloca os heróis contra seus piores medos e fraquezas, essa é a maravilha que os roteiristas conseguiram imprimir, uma grande ameaça cósmica que usa nossa própria humanidade contra nós.

      parabéns por seus textos são excelentes, diria que a leitura é como velejar por novos mares

      Namastê

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