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segunda-feira, 8 de abril de 2013

A angústia bate na aorta


Texto lido ao final do seminário em Dourados dia 06/04/2013, sobre "A constituição do sujeito e o Outro: o surgimento da angústia".

"Ser ou não ser, eis a questão."

Questão que assola os pensadores desde muito tempo.

Quem é o homem? Categoria geral.

Quem sou eu? É o que às vezes nos perguntamos, mesmo sem sermos filósofos.

Antes não perguntássemos. Talvez pudéssemos pensar como Macabéa, personagem de Clarice Lispector: “Já que sou, o jeito é ser”.

Mas nós que cá estamos, a querer saber quem diabos é o sujeito, nós já não conseguimos simplesmente ser. A pergunta nos angustia. A não resposta nos angustia mais ainda. Mas quando descobrimos que o melhor é não ser, ficamos aliviados, contentes. Há que se ter mais coragem para bancar o não ser do que o ser. 

Nós que cá estamos, sabemos que há algo para o que não há resposta. E quando alguém nos procura a querer saber quem é, temos o dever de fazê-la descobrir quem ela não é. Por isso colocamos e pessoa para falar, limpar a chaminé, dizer besteiras. Assim ela poderá se surpreender com quantas coisas ela poderia não ser e perdeu tempo tentando ser aquilo que os outros esperavam dela.

Nos angustiamos quando somos questionados lá na raiz do nosso desejo, pois este é nossa marca como sujeitos. Que queres? É o que perguntamos ao Outro nas tentativas fantasmáticas de sermos. Mas quando nos perguntam “Que queres?” nos separam de nossas identificações, mutilam nossas certezas, arrancam nossas raízes. Como não angustiar-se diante disso? Como o desamparo pode não doer? Não há como não doer para desejar.

E quando achamos que somos, a angústia sai de baixo do tapete para dizer quem não somos.

A angústia é a dor do descolamento das identificações, é a cólica que antecede o parto de um desejo mais autêntico, menos alienado. Cólicas que nos fazem parir outros de nós, desfazendo os nós a que estamos atados aos Outros.

Devemos saber que a angústia bate na aorta quando o sujeito do inconsciente sai pela boca. E quando o desejo invade a sala, a angústia sai pela janela.


Isloany Machado, 05 de abril de 2013.

6 comentários:

  1. Isloany, só tenho uma coisa a dizer: PERFEITO!

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    1. Maria Inês, de minha parte tenho duas: Muito obrigada!!! Abraço.

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  2. Adorei seu Blog, já sou sua fã.

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  3. "E quando o desejo invade a sala, a angústia sai pela janela" já é um texto. Adorei.

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  4. Muito bom, seus textos transmitem algo muito positivo. Grande abraço

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