Aqui você encontrará textos sobre psicanálise, literatura e meus escritos literários.

Precisa de revisão ortográfica? Venha para a Oficina do Texto: Clique aqui!

Leia aqui o texto que inspirou o nome do Blog!

segunda-feira, 25 de março de 2013

A vendedora de shampoo


 
Andava enfezada com a aparência do meu cabelo, sem vida, sem brilho, lambido demais. Isso deve acontecer depois que você passa anos usando o mesmo shampoo, pensei. Lembrei-me de quando comecei a usá-lo, da inveja que causava nas outras mulheres, do balanço quase novelesco dos fios, tão fortes. Mas com o tempo, tudo mudou. Me senti traída. Pensei que o fabricante se desinteressara de mim. Depois de muito falar disso no divã, decidi que iria deixá-lo, trocar de marca quem sabe. Buscar novos horizontes. Quando entrei na loja de cosméticos, uma moça muito bonita e maquiada veio me atender.

- Em que posso ajudá-la? Perguntou sorridente.

segunda-feira, 18 de março de 2013

A galinha no espelho

 
 O homem é um bípede implume. Platão
Apesar de possuírem um olhar que nos soa como vazio, já que parecem olhar para o nada, eu não seria capaz de dizer que uma galinha não tem sentimentos. Ainda que não possua o roça-roça do gato e o lambe-lambe do cão, uma galinha pode bem ser um animal de estimação, como tantas que vemos espalhadas pelos quintais de casas de bairro. Mesmo despertando, sem que precise se esforçar muito, a afeição das crianças, uma galinha sempre pode ser o alvo de uma faca afiada nas mãos de um adulto. Tenho a impressão que uma galinha olha para o nada para disfarçar que olha tudo, medida de proteção e sobrevivência. Uma galinha é um animal doméstico que precisa lutar dia após dia para sobreviver. Foi pensando em tudo isso que Cocota sempre buscou ser uma galinha diferente das outras. O que ela queria era ser vista como outra, como algo além de um pedaço de carne. Cocota se autodenominava galinhista, para se contrapor aos egocentristas – humanos que se acham muito melhores do que os outros animais e não têm o menor respeito pelo direito deles.

sábado, 9 de março de 2013

Carta 2 - Sobre o encolhe-estica do tempo e outras coisas


Meu pequeno sobrinho,

Veja como o tempo passa rápido! Hoje faz dois meses que você nasceu e, claro, tenho que dizer que ainda ontem falei com sua mãe pelo telefone para saber da notícia de sua gestação.

Sabe Henrique, o tempo é uma das coisas mais intrigantes desse mundo. Quando alguém que a gente gosta vai embora, o tempo estica. Quando uma pessoa que a gente ama está para chegar, e mesmo muito antes que ela nasça, o tempo é longo, mas quando ela chega o tempo encolhe, tudo passa muito rápido. Como posso te dizer isso de uma forma mais compreensível? Bem, imagine que você está com muita fome e sua mãe não te dá logo o leite. Não te parece uma eternidade a espera? Mas quando ela chega e você está mamando, não passa rapidinho? Então, é mais ou menos assim.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Sala de espera


Dedicado ao meu querido ginecologista


Sempre que vou ao ginecologista levo um livro para ler, pois tenho a impressão de que o tempo passa mais rápido. Às vezes me pego com o livro de cabeça pra baixo. Não devo mentir. Então, vamos lá. Sempre levo um livro para não ter que falar nada. Não é que eu seja metida ou coisa assim. Explico melhor. A sala de espera do meu ginecologista anda sempre lotada: moças, gestantes, idosas, meia-idade, dentre outras figuras. Todas elas falam ao mesmo tempo. Concluí que a sala de espera do ginecologista proporciona alguma catarse para minhas companheiras.