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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Uma Senhorita Aranha que não sabia fazer teia


Senhorita aranha precisava de uma casa, já estava bem grandinha e decidira sair da moradia da família. Escolheu um bom lugar, sem excesso e nem falta de luz. Esta senhorita nascera com um defeito que fazia toda a diferença em sua vida: não podia fazer teia porque não podia produzir fios. Como poderia fazer sua casa então? Com toda a inteligência que lhe era possível, senhorita aranha pegou essa primeira frase “como vou fazer minha casa?” e lançou de um lado a outro. Pronto, sua ideia dera certo. Tudo o que tinha em mãos eram as frases que dizia, e resolveu usá-las para construir sua casa.

Lançada a primeira frase, agora ela só precisava montar a teia. Senhorita aranha lembrou-se de uma cena de sua infância e falou: “a mamãe é só minha!”. Pegou em seguida e lançou sobre a outra frase. Pensou mais uma: “você não sabe fazer teia”. Foi jogando uma sobre a outra numa verdadeira chuva de frases. “Não era pra você ter nascido, sua feia”; “você pode ser o que quiser”; “por que você está chorando?”; “você vai sair de casa?”; “tem certeza disso?”; “eu acho que não vai dar conta”; “ahahahaha, vai morar embaixo da ponte”; “uau, como você é linda”; “se não fosse tão cascudo, eu ia querer namorar você”; “não sabe fazer teia, mas é bonitinha”; “que aranha exótica”.

E assim, senhorita aranha construiu sua casa. Algumas palavras que ela usou se entrecruzaram em diversas frases. Eram pontos de nó nos quais ela sempre tropeçava, mas davam firmeza para a estrutura como um todo. Havia também os buracos, como em toda teia. Às vezes admirava-se com sua construção. Ela queria mesmo era ter feito uma teia que se parecesse um tecido mais fechado, em que se sentisse mais segura para caminhar sem correr o risco de cair nos vãos. Então ela falava, falava, falava, tentando aperfeiçoar sua casa e eliminar os buracos, mas o que ela percebia era que eles estavam sempre lá, por mais que ela falasse e lançasse as muitas frases.

Com o tempo, senhorita aranha, que não era boba nem nada, percebeu que uma teia assim com espaços estre frases e outras também capturava mais facilmente seu alimento. Acomodou-se melhor em sua teia ao perceber que sem os buracos não poderia sustentar-se.


Isloany Machado, 23 de maio de 2012.

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