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quarta-feira, 28 de março de 2012

Quando amar é voar a dois


Outro dia entrei numa banca de revistas e olhava despretensiosamente os livros postos sobre uma bancada, quando vi “A bolsa amarela”, de Lygia Bojunga. É um livro que me lembro de ter lido na infância. Nem pensei duas vezes e comprei. Reli. Conta a história de Raquel, a filha caçula de uma família que já tinha três filhos com mais de 10 anos quando ela nasceu. Então ela diz “já nasci sobrando” porque ouviu diversas vezes seus irmãos dizerem que ela nasceu fora de hora, quando a mãe já não tinha condições de ter filhos. Desse não-lugar, Raquel, que tem uma vontade “gorda” de escrever, precisa recontar sua história, reescrevê-la. O livro faz uma bela crítica às relações familiares, e algumas outras tantas, mas o que quero destacar é um aspecto para falar sobre o amor.
Raquel gostava de escrever e um dia inventou a história de um galo cuja ocupação era cuidar de um galinheiro. Mas ele se cansa de tomar conta das galinhas, pois achava que era muita galinha pra um galo só, e resolve fugir. O galo foge da história de Raquel e vai morar dentro da bolsa amarela, onde ela guardava suas vontades. Ele estava resolvido a lutar por suas ideias. Em sua vida de galo, não tivera muita escolha, pois desde cedo lhe disseram: “Daqui pra frente você vai ser um tomador-de-conta-de-galinha como o seu pai era, como o seu avô era, como o seu bisavô era, como o seu tataravô era.” A esse sujeito não restava muita escolha na trama familiar, mas, se considerarmos que, “por nossa posição de sujeito, sempre somos responsáveis”, como disse o psicanalista Lacan, podemos dizer que sempre há uma escolha, e Afonso, o galo, decidiu fugir do lugar reservado a ele na linhagem de galos tomadores-de-conta-de-galinha de sua família. Trata-se de um ato de coragem, mas Afonso ainda precisava encontrar uma grande ideia pela qual lutar. Quando questionado por Raquel sobre suas ideias, ele diz: “ainda não deu pra ter nenhuma, primeiro eu preciso ter a ideia. Depois eu saio lutando”. Enquanto isso, ele ficava escondido dentro da bolsa amarela e saía para dar uma voltinha de vez em quando para ver se encontrava uma ideia.
Certo dia, em uma de suas buscas, Afonso não acha uma ideia, mas encontra um guarda-chuva e leva para presentear Raquel. Logo descobrem que era uma guarda-chuva que estava toda enguiçada, com as costelas quebradas e cuja história também enguiçara junto com um estalo que tivera. A Guarda-Chuva fala uma língua que só o galo consegue entender e isso o coloca em um lugar bem importante pra ela. Surge um clima de romance entre Afonso e a Guarda-Chuva, que passam a conviver dentro da mesma bolsa: “Ela logo espichou o pescoço para ficar olhando o Afonso. Ele virou a cabeça, olhou para ela e...não sei não...mas o jeito que eles se olharam foi um jeito assim...sei lá...um jeito que um dia vai dar casamento”.
O tempo passa e Afonso finalmente encontra a tão procurada ideia depois de reencontrar um primo que era da linhagem “galo-de-briga”. Esse primo não gostava de brigar, mas os donos haviam costurado seu pensamento com linha forte e só deixaram pra fora a parte que dizia que tinha de brigar e ganhar. Depois disso, Afonso define a ideia pela qual vai lutar: “Vou sair pelo mundo lutando para não deixarem costurar o pensamento de ninguém. Só tem um problema: o mundo é grande demais, se eu saio lutando a pé vou ficar muito cansado”. Assim Raquel descobre que Afonso não sabe voar quando ele conta a história de seu medo:Então ele me contou que toda a vida teve mania de voar alto. Mas nunca experimentou porque tinha um medo danado de cair. Até que um dia tomou coragem. Quando já ia chegando, perdeu a força e começou a cair. – Fiquei apavorado, sabe Raquel? Daí pra frente toda semana eu resolvo: segunda-feira bem cedo vou experimentar outra vez. Mas na hora eu não tenho coragem e deixo pra outra segunda-feira.” Afonso abriu mão de seu gosto por voar depois que perdeu as forças e assim, sempre posterga o reencontro ou a realização de seu desejo. Trata-se de uma procrastinação desse encontro. Afonso não consegue se reencontrar com seu desejo de voar, tendo que procrastinar esse momento para a próxima segunda-feira.
            Retornemos à Guarda-Chuva. Raquel decide levá-la para consertar e, depois disso, podemos saber o restante de sua história. Ela tinha sido feita bem bonitinha, mas sentia-se incomodada, ela não queria ser só isso. Raquel pergunta a Afonso: “Ela não gostava de ser bonitinha?”, ao que ele responde: “Gostava. Mas ela achava que ser bonitinha só era muito pouco: se de repente ela desbotasse, ela deixava de ser bonitinha; aí ela não ia servir pra mais nada, porque a única coisa que ela era, ela deixava de ser.” A Guarda-Chuva tinha uma questão do feminino, ela queria ser mais do que um belo objeto de apreciação, pois se fosse apenas isso, poderia um dia deixar de sê-lo. Ela queria mais, queria ser importante, ocupar outro lugar. Ao contrário de Afonso, a Guarda-Chuva era bem corajosa e até apressada demais. Ela havia se quebrado toda porque sentiu vontade de voar que nem paraquedas e um dia, depois que já tinha enguiçado nessa de abrir, fechar e voar, ela resolveu pular de novo. Pula sem saber se vai conseguir abrir ou não e corre um grande risco. Mas, como diz Afonso, o risco foi tão grande quanto a “chateação de viver sempre ali parada só sendo bonitinha e mais nada.” A Guarda-Chuva não tinha medo, ela preferiu se arriscar em seu desejo do que viver ali respondendo ao que fora determinado para ela: ser bonitinha. O preço que pagou por bancar seu desejo foi algumas costelas quebradas a mais.
            Temos uma oposição entre a postura de Afonso, que procrastina o encontro com o seu desejo, e a da Guarda-Chuva, que se precipita literalmente, se jogando para realizá-lo. O clima de romance estava no ar desde que se conheceram e com isso, Afonso se apaixona por ela de uma vez por todas: “não é à toa que eu gosto da Guarda-Chuva: ela tem ideias. Sabe o que é que ela me disse? Que eu não preciso mais ter medo de voar alto. Ela vai junto comigo, e, se eu caio, ela dá uma de paraquedas; e, se eu caio de novo, ela dá outra; e assim toda a vida.” Afonso não precisa mais procurar ideias, pois a Guarda-Chuva as têm de sobra. Além disso, ali onde as asas dele fraquejassem, ela poderia sustentá-lo. Ele diz: “Agora sim, posso sair pelo mundo, voando bem alto sem perigo de me esborrachar. Agora sim posso lutar pela minha ideia.” Ele pode agora realizar sua vontade de voar alto e lutar por suas ideias. Por outro lado, ela encontra um lugar no desejo dele e não precisará mais ser somente a bonitinha, poderá também realizar o seu outro desejo: voar. Estabelecem uma bela parceria.
            Creio que esta seja uma bela metáfora do amor. As pessoas passam muito tempo querendo entender o amor, defini-lo, alcançá-lo, teorizar sobre ele dizendo que se trata de combinações hormonais. Outros ainda esperam o dia em que encontrarão o príncipe encantado e mascarado ou a princesa, bem bonitinha. Lacan afirma que A mulher não existe.  A Guarda-Chuva não é A mulher, já que esta não existe, mas ela é uma mulher que “consoa” muito bem com o inconsciente de Afonso. Era justamente ela que lhe fazia falta. Não há nada que nos ensine, no amor, a como devemos agir e, segundo a psicanalista Carmem Gallano, “não há nada que diga como ser um homem para uma mulher ou ser uma mulher para um homem.” O que há no amor são parcerias e, Gallano diz algo muito belo: “a relação amorosa é a relação entre dois exilados.” Afonso e a Guarda-Chuva são, portanto, dois exilados, que se refugiaram dentro da bolsa amarela até poderem se unir numa relação amorosa. Lacan afirma que a mulher é o sintoma de um homem, nesse sentido, se Afonso não podia voar, mesmo tendo asas, era exatamente ali que ela se enodaria no sintoma dele, dando-lhe asas. Então, podemos dizer que amar, nesta metáfora de Lygia Bojunga, é estabelecer uma parceria, é voar a dois. Não se trata de fazer um, mas dois. Amar é dar asas mesmo quando não se tem. Amar é juntar duas vontades que continuarão sendo duas, mas em ligação, ainda que sintomática.


Bibliografia
BOJUNGA, Lygia. A bolsa amarela. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2010.
GALLANO, Carmem. A alteridade feminina. Campo Grande: Andréa Carla Deuner Brunetto ed., 2011.
LACAN, Jacques. O desejo e sua interpretação. Seminário não publicado, 1959.
LACAN, Jacques. Conferência de Genebra sobre o sintoma, 4 de outubro de 1975.
LACAN, Jacques. Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.  

segunda-feira, 26 de março de 2012

Filosofia aos 60


            Ontem foi aniversário do meu pai. Ele completou 60 anos de idade. Desde quando eu era criança, sempre o ouvi dizer que seu sonho era fazer o curso de Direito, e resolveu fazer agora, aos 60. Por que não fez antes? Não sei, mas isso não importa e é uma pergunta que tem a ver com a minha pressa e não a dele. Então ontem, quando falava com ele ao telefone, para dar os parabéns, me disse que está tendo a disciplina de filosofia e que não está gostando. Eu sorri e disse a ele que é algo muito abstrato mesmo. Daí me lembrei que quando comecei a faculdade, de Psicologia e não Direito, aos 17, também não fazia muito sentido pra mim. Começou a fazer sentido há pouco tempo. Então fiquei pensando o que os grandes filósofos teriam a ensinar a meu pai. É claro que não estou descartando a importância de saber as bases daquilo que se escolhe por ofício, mas talvez não haja muita coisa que os filósofos disseram na teoria que meu pai já não tenha vivido na prática e nas marcas que o tempo deixou nele. Então, se por um lado não fez muito sentido pra mim aos 17, talvez pela imaturidade e prepotência da juventude, pode ser que para ele não faça sentido complicar tanto com palavras o que teve que aprender a simplificar com a vida. Chamam de “epistemologia”. Um nome bem chic, mas quando ouvi pela primeira vez, podia jurar que tinha alguma coisa a ver com comida de passarinho: “alpiste-mologia”. E eu aprendi com a “filosofia” de meu pai, que trabalhar nunca é vergonhoso, ainda que seja pra vender bananas de porta em porta. Não foi Max Weber que disse “o trabalho enobrece o homem”? Também aprendi com ele que estudar é muito importante e que não fazemos isso só porque acumular títulos pode trazer status, mas porque é a única coisa que levamos dessa vida. Nunca saberemos tudo, por isso, nunca podemos parar de estudar. E não é de Sócrates a célebre “só sei que nada sei”? Também me parece que foi Sócrates que falou sobre a virtude, que é a mais importante de todas as coisas e que é preferível sofrer injustiça do que cometê-las. Meu caro Sócrates, foi meu pai quem me ensinou que o mais importante na vida é termos “palavra”. Eu o vi algumas vezes sendo injustiçado, mas não me lembro de tê-lo visto sendo injusto com alguém e foi com ele que aprendi a ter palavra, a não fugir dos meus compromissos jamais, faça chuva ou sol. E Kant com sua filosofia moral? Com os reinos dos fins, imperativos categóricos e etc? Foi meu pai quem me mostrou em ato que não devemos fazer ao outro aquilo que não queremos que façam conosco. Também com suas críticas, me ensinou que sempre devemos duvidar das verdades prontas, e assim, lançou em mim a semente da dúvida cartesiana. É claro que meu pai não é perfeito, fazia negócios mirabolantes, que muitas vezes deixavam minha mãe muito brava, certo dia chegou em casa com um eletrodoméstico usado, que não funcionou, nunca. É pai, essa foi péssima mesmo. Ah, mas ele nunca negou pouso em nossa casa para alguém que precisasse de acolhida, mesmo nesses tempos em que não se pode confiar em ninguém, e com isso me ensinou que devemos acreditar nas pessoas, até que se prove o contrário. Não foi Rousseau quem disse que "o homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe"? Não sei se concordo com isso.  Teve também seus fracassos obviamente e, mesmo que nesses momentos possa ter se sentido envergonhado diante das filhas (suposição minha), talvez não soubesse que o que um pai transmite a um filho deve ser sempre algo da ordem de um fracasso, de uma falta. E quando eu achei que já tinha aprendido tudo o que podia com meu pai, porque há 10 anos não moramos juntos, ele resolve fazer, aos 60, a faculdade que sempre sonhou. E me surpreendo com mais uma, ou algumas lições dessa filosofia paterna: “não ceder de seu desejo”, a bela fórmula do psicanalista Lacan, em outras palavras, não abrir mão de seus desejos, custe o que custar. Aprendi que mesmo custando caro, maior ainda é o preço que se paga por nos acovardarmos diante do que almejamos. E isso é da ordem de uma ética, a ética do dever, do desejo. Entendo que viver é um dever e ter contentamento diante de nossas escolhas deve suplantar o trágico do real da vida. Mais uma coisa ainda: aprendi que o sujeito não envelhece. Esse sujeito do desejo não tem idade. Sempre ainda é cedo. E daí é claro que eu acordaria inspirada com essa frase na cabeça: “filosofia aos 60”. Então, o que posso dizer a meu pai diante do seu “não tô gostando da matéria de filosofia”? Pois o que digo é que ele não fica muito atrás com o saber dos grandes filósofos, que na verdade usaram palavras difíceis para dizer algo que meu pai descomplicou pra mim, mesmo sem saber.  

Campo Grande, 21 de março de 2012.




Carta a Clarice Lispector


Querida Clarice,

Outro dia, lendo o seu “Água Viva”, deparei-me com seu questionamento: “Quero como poder pegar com a mão a palavra. A palavra é objeto?”. Sabe Clarice, fiquei pensando nesta pergunta num dia em que perdi alguém que amava, ele se foi por escolha, e inevitavelmente as pessoas se colocam a pensar no porquê de uma escolha assim. Então, pensando nele e nas cenas de nossa infância, eu me lembrei de que foi com ele que aprendi a gostar de comer sopa na tigela, mesmo em dias quentes. E aí, pensando se a palavra é objeto, eu quero te dizer que eu acredito que sim, são objetos. Sabe por quê? Porque elas têm peso, medida, cor, densidade, ainda que nós não saibamos como fazer para medir isso. As palavras ditas saem da nossa boca e nunca sabemos qual será o curso delas, pois são ondas, que podem cair em qualquer terreno: fértil, infértil, não sabemos. Acontece que há uma diferença radical entre o sentido da palavra que sai da boca e o da que chega a seu destino. Há um equívoco, e é neste equívoco que se funda um sujeito. Enquanto escrevia esta última frase pensei: “é neste equívoco que se afunda um sujeito”. Veja Clarice, como são inúmeras as possibilidades que as palavras nos dão. 

Você mesma diz saber que há um desencontro leve entre as coisas, que elas quase se chocam, mas que nós quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um encontro brusco face a face com ela nos assustaria, e que nós somos assim, “de soslaio”, para não comprometer o que pressentimos de infinitamente outro nessa vida. Me emocionei ao ler essa passagem porque me fez pensar no que a psicanálise (meu ofício) diz sobre a importância das palavras para que o sujeito possa se proteger do encontro com o real. As palavras são os objetos que nos protegem do encontro com o inevitável! Ah, Clarice, eu gostaria de poder encher/rechear cada espacinho da vida dessa pessoa que te falei com muitas palavras, para que ele não tivesse nem de longe esse encontro com o real dessa vida.

Palavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavraspalavras.

Mas infelizmente não é possível que assim seja. É preciso suportar esse pequeno espaço que há necessariamente entre uma e outra
palavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavraØpalavra.

Eu não poderia fazer isso, porque não sei quais as palavras que já estavam lá: pesadas, leves, coloridas, cinzas, doces, salgadas, amargas, ferinas. Vê Clarice, as palavras são mesmo coisas que são adjetivadas. Também não poderia fazer isso porque com esse Ø cada um precisa se haver. E sabe Clarice, eu tenho visto isso acontecer com algumas pessoas e é tão belo. Claro que ninguém caminha ileso de palavra a outra, sem dor. Sim, isso não é possível de ser feito sem certa dor, mas ao caminhar de uma a uma, com o tempo, advém uma leveza que nos faz saltar. Sabe, há uns anos eu tenho pensado nesse Ø e tenho recheado para mim mesma, de modo que é possível construir uma cadeia assim:
Palavradesejopalavrasonhopalavravidapalavravontadedevoarpalavracontentamentopalavracompartilharpalavraamorpalavraestudarpalavralerpalavraverfilmespalavraviajarpalavr
a    

Veja que engraçado Clarice, eu escrevia a cadeia e tentei formatar o “a” que sobrou na última linha, alinhei à esquerda, justifiquei, alinhei à direita, mas ele insistiu em ficar sobrando. E entendi agora mesmo que tem um “a” que sempre sobra e não há o que fazer quanto a isso. Ciente disso, posso palavrear minha dor. E pra não me tornar cansativa, vou terminar dizendo que, se alguém me perguntar onde ele está agora eu poderei dizer: agora ele está em algum lugar das minhas lembranças, será palavra aí junto da cadeia de palavras que me compõem: sopa, tigela, infância. Não poderia também terminar essa carta sem agradecê-la pela pergunta, que me fez pensar e aliviar minha dor.


Campo Grande, 07 de fevereiro de 2012.